Doentes mantêm-se com prognóstico 'muito reservado'

Os quatro doentes que correm risco de cegueira na sequência de uma intervenção oftalmológica continuavam ao final da manhã sob prognóstico 'muito reservado', disse fonte da administração do Hospital dos Capuchos.

Manuel de Brito, da administração do Centro Hospitalar de Lisboa Central, para onde foram transferidos os doentes operados numa clínica ilegal na Lagoa, relatou que os quatro pacientes foram operados no mesmo dia e pelo mesmo médico.

Quando os doentes deram entrada no Hospital dos Capuchos, a administração comunicou de imediato à Direcção Geral da Saúde, precisamente pela relação entre todos os casos.

Trata-se de dois homens (um deles de nacionalidade inglesa) e de duas mulheres.

Três dos doentes foram submetidos a uma intervenção de correcção de cataratas e uma das mulheres a uma cirurgia para colocação de lentes, adiantou ainda Manuel de Brito.

'Neste momento está a fazer-se a terapêutica necessária e estarão internados o tempo que for considerado clinicamente necessário', disse, acrescentando ser prematuro adiantar uma previsão.

Segundo a equipa clínica do Hospital, que já contactou o médico da clínica da Lagoa (Algarve), os doentes foram afectados por uma infecção pós cirúrgica, mas a Inspecção Geral das Actividades em Saúde encontra-se ainda a investigar as causas.

Para o presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, António Travassos, poderá estar em causa uma 'má prática' ou 'um erro de procedimento'.

'O que interessa perceber é se a bactéria que está em causa [na infecção] é a mesma. Imaginemos que os quatro doentes foram operados no mesmo dia, a infecção pode acontecer por duas razões: ou há uma sala que está contaminada, o que eu não acredito, ou porque há um erro de procedimento', comentou.

António Travassos afirma que estes procedimentos são graves, mas que acontecem um pouco por todo o mundo: 'Hoje aquilo que nós sabemos é que em vários locais, não só neste país, o mesmo kit descartável é utilizado várias vezes'.

Para o presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, o caso ocorrido há um ano no Hospital Santa Maria, que levou à cegueira de seis doentes é 'provavelmente completamente diferente deste'.

No caso do Santa Maria foi a troca de medicamentos na farmácia hospitalar que terá provocado os casos de cegueira.


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