Doentes em estudo não podem esperar três meses

"Um doente que esteja em estudo pela primeira vez, e para o qual ainda não haja diagnóstico, não pode esperar três meses para fazer um exame. No máximo um mês, e mesmo assim é variável", diz ao DN José Manuel Silva, o bastonário da Ordem dos Médicos. "E se se descobre que o doente tem um cancro?", questiona, em forma de alerta.

Tal como o DN noticiou na edição de hoje, em Setembro, o tempo médio de espera por um exame era de 105,7 dias, mais de três meses, quando em Agosto não passava de 96,4 dias. Tempo que o médico considera ser inadmissível. "Há situações variáveis, depende não só das solicitações como da capacidade de resposta das unidades, mas a proibição de os hospitais recorrerem às unidades com convenção com o SNS veio piorar os tempos de espera. E é provável que ainda subam mais".

Até agora, apesar de estar previsto por lei, não foram publicados os tempos de espera máximos para a realização de meios complementares de diagnóstico e terapêutica (exames, análises e tratamentos como os de medicina física e reabilitação). Apesar de ser difícil defini-los, José Manuel Silva refere que "não pode haver espera nem em oncologia ou nas urgências. Nas restantes áreas, têm de ser definidos tempos, em conjunto com o próprio médico". Quando não se sabe o que um doente tem "não se pode esperar três meses para fazer um exame, porque é sempre um risco e não pode ser o doente a pagar".

O ministro da Saúde, Paulo Macedo, garantiu hoje que os exames urgentes são realizados no dia, dando o exemplo de hospitais como Santa Maria ou o IPO. O responsável reagia à notícia do DN e lembrava que "não se pode comparar um mês como o de Agosto, um mês tradicionalmente de férias, com o de Setembro". Ao DN, o bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, recordou que em Agosto "há menos consultas e exames marcados, mas também há menos médicos para lhes dar resposta", o que pode agravar os tempos de espera. Isto apesar de concordar com a essência da medida. "Só se pode recorrer a privados com concursos e contratos que demoram, por isso, é expectável que o tempo de espera vá subir mais".

O porta-voz do Movimento dos Utentes do Serviço Nacional de Saúde, Manuel Vilas Boas , disse à Lusa que o aumento do tempo de espera para exames nos hospitais públicos é um "prejuízo", adiantando estar a preparar um protesto nacional.

Embora admita que o aumento da média de dias de espera para fazer análises e exames nos serviços públicos era "expectável", considerou o atraso como "um prejuízo incrível" para os portugueses. "Temos feito um esforço de contenção da muita indignação para evitar algumas explosões mais acentuadas que poderiam trazer problemas, mas neste momento não temos outra hipótese se não apelar a que os utentes se levantem contra esta situação", referiu, acrescentando que "o senhor ministro está nitidamente a brincar com os utentes do SNS".

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