Doenças respiratórias são um problema

As doenças respiratórias, as anomalias congénitas e os problemas do aparelho digestivo são os que mais levaram as crianças, até aos 14 anos, ao hospital em 2008. De acordo com o relatório da morbilidade hospitalar, publicado pela Direcção-Geral da Saúde, foram estes os três grupos que exigiram mais internamentos com duração inferior a um dia.

Nas crianças com menos de um ano registaram-se 272 internamentos com duração inferior a um dia por doenças do aparelho digestivo, mais 25 que em 2007. Também as anomalias congénitas tiveram uma subida de 48 casos, comparando com o ano anterior, fazendo um total de 200 casos. Já entre um e os quatros anos, as doenças respiratórias aparecem no primeiro lugar nas idas ao hospital, com mais de mil saídas no próprio dia, um cenário semelhante ao registado entre os cinco e os 14 anos, 2191 saídas no dia, mais 355 que em 2007.

Um aumento que pode ser justificado pela criação, em muitas unidades, de hospitais de dia, que facilitam alguns tratamentos. "É uma vantagem para os pais, para a criança e na redução dos custos do internamento", referiu ao DN Luís Pereira da Silva, neonatologista do Hospital D. Estefânia.

No que respeita a internamentos com pelo menos uma pernoita, as doenças do aparelho respiratório aparecem em primeiro lugar, com um total de 76 044 dias de internamento até aos 14 anos. À excepção das crianças com menos de um ano, houve uma diminuição em relação a 2007.

De destacar o aumento de dias de internamento das doenças congénitas, do metabolismo, da pele, do sangue, do sistema nervoso e cancros. "Há doenças que vão emergindo. É o caso das auto-imunes. Existe a teoria da higiene que tem a ver com o facto de termos deixado de estar em contacto com parasitas e bactérias e o nosso organismo deixou de estar programado para se defender. Isso pode provocar alergias e desencadear doenças auto-imunes, como o lúpus", referiu o médico.

A nível internacional, pensa-se que o aumento de fertilizações in vitro possa ser uma das causas para o aparecimento de mais anomalias congénitas, pois deixa de haver uma selecção natural dos espermatozóides.

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