Doação de alimentos para contrariar a crise

Pessoas dão massa, açúcar, conservas, esperando que contributo possa melhor a vida de muitas famílias mais carenciadas. Às 18 horas o primeiro balanço da campanha. "Foram recolhidas 617 toneladas de alimentos. São 40 toneladas acima do registado em maio (no mesmo período), mas um pouco abaixo de dezembro de 2012", avança Isabel Jonet, presidente da Federação dos Bancos Alimentares Contra a Fome.

Desempregado há ano e meio, aos 52 anos, João Vieira não hesitou na hora da ida ao supermercado e levou um dos sacos que os voluntários do Colégio Luso-Francês distribuíam à porta do Continente do Norteshopping, em Matosinhos. "Eu estou desempregado, mas há gente que está pior do que eu", confessava ao DN depois de entregar aos voluntários o saco com alguns produtos no âmbito da campanha do Banco Alimentar Contra a Fome.

Este aliás, era o espírito de alguns dos que contribuíram ao longo da manhã. "Eu contribuo sempre, porque gosto de ajudar as outras pessoas", admitia Cristina Ferreira. Confessando que o faz com alguma dificuldades, por ter o marido desempregado. "Se cada um de nós der uma migalha, no final vamos ter muitas migalhas para ajudar", justificava Arminda Alves, salientando que "mais do que nunca é preciso que saibamos partilhar".

"Notamos que algumas pessoas, quando perguntamos se querem contribuir, ficam na dúvida, mas é mais a pensar se podem ajudar", conta Francisca Santos, de 15 anos e que, pelo quarto ano consecutivo, é voluntária nestas iniciativas. Esta jovem estudante lembra que o ano passado temiam que os donativos diminuíssem muito, por causa do agravar da crise. "Aquilo que vimos foi que mais pessoas deram, mas com menos produtos. Esperamos que este ano seja igual", sublinhava, confiante que "as pessoas, mesmo com algum sacrifício, tentam sempre ajudar. Hoje damos para os outros, mas não sabemos onde isto vai parar e amanhã podemos nós precisar".

Neste estabelecimento comercial de Matosinhos, os donativos, até à hora de almoço, decorriam a bom ritmo, "com algumas ofertas de carrinhos de compras cheios", explicava o professor José António, coordenador da equipa. "Já enchemos algumas boxes, mas algumas pessoas confessam que gostavam de dar mais, mas não podem", refere.

Maria Castro tem 76 anos e confessa que já viu muita coisa. "Coisas que não esperaria", confessa. foi uma das muitas pessoas que cumpriu um ritual que adotou há muito: sempre que há campanha, um saco vai para o Banco Alimentar Contra a Fome. "Dei azeite, óleo, açúcar, atum e farinha. Desta vez até estou a dar mais", diz ao DN, enquanto terminada as compras num hipermercado de Telheiras, em Lisboa.

Nos corredores, os miúdos do agrupamento 683 dos Escuteiros de Telheiras não deixam escapar um saco. Aguardam ansiosos por completar a sua missão. "Estamos a ajudar para que as pessoas não tenham fome", explica Gonçalo, oito anos.

António Franco Costa, chefe da equipa, explica que "a recolha está a correr bem, à semelhança dos outros anos" e que a carrinha para levar os bens para Alcântara, onde vão ser separados por género já por ali passou mais do que uma vez.

O sentimento de solidariedade impõe-se numa época especialmente difícil. "Vamos a caminhar para a miséria e não sei se um dia não pode acontecer a mim. Dei massas, açúcar, conservas. Campanhas como esta são importantes, porque estamos muito mal. Nem sonhamos com a miséria que acontece por ai", afirma Nélia Teixeira, que contribui sempre.

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