D.Manuel Clemente. Entre o barrete cardinalício e o boné do operário

Regressou a Lisboa para ser patriarca e hoje será feito cardeal. Há quem lhe aponte uma certa inibição, todos lhe elogiam a simplicidade

À porta da Igreja dos Jerónimos, cada um dos fiéis era cumprimentado pelo novo patriarca de Lisboa. Manuel Clemente tinha dito que assim o faria: esteve uma hora e meia a estender a mão, o rosto, o abraço a quem saía da missa que assinalou a entrada do filho pródigo na sua casa, depois de seis anos como bispo do Porto. E dizia-se feliz, "entre amigos e a fazer o que Deus quer".

Estávamos em julho de 2013, no Vaticano morava também um novo papa, e havia entusiasmo pela novidade que D. Manuel Clemente podia representar para a diocese de Lisboa, com a saída do cardeal patriarca D. José Policarpo. Não seria tarefa fácil, mas o seu currículo como bispo titular portuense - e, de caminho, a atribuição do Prémio Pessoa, em 2009 - permitia o discurso otimista. "No Porto, tinha muito boa imagem", aponta ao DN Anselmo Borges, teólogo, que de Coimbra vai ouvindo o que lhe dizem. "Constato que em Lisboa, segundo me dizem, o sentem bastante inibido. Dá a sensação de um certo low profile. E há quem se pergunte porquê."

Estas dúvidas parecem afastadas quando se ouve a descrição da recente visita do patriarca à paróquia da Nazaré, no início deste ano de 2015. Aí o bispo esteve junto dos seus - é de Torres Vedras, onde nasceu a 16 de julho de 1948, e conhece o Oeste como a palma da sua mão, também por ter tido a responsabilidade pastoral por esta região quando era bispo auxiliar de Lisboa, de 2000 a 2007, antes de ir para o Porto. "Conhece muito bem as paróquias e as paróquias conhecem-no bem", sintetiza o pároco da nazarena Pederneira, Moisés Jiménez.

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