Diretor de Educação do Exército acusa Observador de 'artifício jornalístico' 

Fernando Cóias Ferreira foi ouvido esta terça-feira na subcomissão de Igualdade no parlamento sobre alegada discriminação no Colégio Militar

"Artifício jornalístico" e "condições em que foi efetuada a entrevista", assim como a forma como terá sido interpretada, justificam, segundo o diretor de educação do Exército, a índole das declarações do subdiretor da escola sobre o que ali sucede aos alunos homossexuais e a polémica causada.

Em audição na subcomissão de Igualdade do parlamento, a decorrer, o major general Fernando Joaquim Cóias Ferreira, que já dirigiu o CM e agora, como diretor de educação, superintende aquele estabelecimento militar de ensino, certificou ainda que "a discriminação com base na orientação sexual não existe no Exército. Desde que fui nomeado diretor deste estabelecimento de ensino [Colégio Militar], em 2010, e até hoje, sob responsabilidade dos dois diretores que me sucederam, nunca nenhum aluno foi transferido por assumir a sua orientação sexual." Cóias Ferreira sublinhou ainda não ter conhecimento de qualquer reclamação de pais relativa a transferência de escola com base na orientação sexual.

Nas questões colocadas na primeira ronda de perguntas, porém, a deputada do PS Isabel Moreira apontou o facto de o regulamento interno da instituição, alterado em 2015, não apresentar, no elenco das proibições de discriminação, a orientação sexual, ao contrário do que sucede no Estatuto do Aluno, lei de 2012.

A audição foi requerida pelo Bloco de Esquerda depois de o Observador ter publicado, a 1 de abril, uma reportagem sobre a escola, em que o respetivo subdiretor, tenente-coronel António Grilo, foi citado como tendo assumido a homossexualidade como "tabu" no CM, a par da droga e dos roubos. "Nas situações de furto e de droga é transferência imediata de escola. Nas situações de afetos [homossexuais], obviamente não podemos fazer transferência de escola. Falamos com o encarregado de educação para que percebam que o filho acabou de perder espaço de convivência interna e a partir daí vai ter grandes dificuldades de relacionamento com os pares. Porque é o que se verifica. São excluídos." E exemplificou com uma situação recente: " "Lembro-me de uma. Um aluno tentou acarinhar outro aluno. Os pais ainda quiseram que ele se mantivesse na escola mas a partir daí perdeu o espaço. Foi completamente excluído, o que num ambiente de internato, 24 horas por dia, é extremamente pesado para o bem-estar e para o equilíbrio de uma pessoa". O aluno, concluiu, acabou por sair da escola.

O diretor de Educação do Exército - que assegurou "nem eu nem o subdiretor somos homofóbicos" -- esclareceu que o caso citado pelo subdiretor do CM disse respeito a um caso de "coação sexual", em relação ao qual foi instaurado um processo disciplinar que não terá sido concluído porque os pais do aluno decidiram retirá-lo da escola. Questionado por Isabel Moreira sobre se estava a referir-se a um crime, já que a coação sexual é um crime previsto no Código Penal (e no caso de ser perpetrado sobre menor é abuso sexual de menor e portanto crime público), Cóias Ferreira não respondeu, tento também recusado dizer que idade tinham os alunos em questão. Ao DN, o diretor de Educação declarou que o Exército estaria disponível para prestar esclarecimentos às autoridades.

Refira-se que o Observador colocou o áudio da entrevista ao subdiretor do CM no seu site.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG