Director do Público critica Cavaco e desmente provedor

José Manuel Fernandes assina hoje o editorial do Público onde desmente o provedor daquele jornal, critica o comportamento do Presidente da República (PR) no «caso das escutas», sem pôr em causa a actuação do Público na matéria.

José Manuel Fernandes, director do Público, assina hoje o editorial do jornal que diz ser "sobre o afastamento de Fernando Lima da chefia do gabinete de assessoria para a comunicação social do Palácio de Belém".

Admitindo que o seu texto "será lido com mil lupas", José Manuel Fernandes critica a divulgação de "correspondência interna do PÚBLICO" e coloca pela primeira vez questões à actuação do Presidente da República no «caso das escutas» a Belém.

"Relembrar os factos essenciais"

Para evitar que o editorial seja "treslido", o director do Público começa por "relembrar os factos essenciais". Escreve que "um editor do Público [Luciano Alvarez] enviou uma mensagem a um jornalista [Tolentino Nóbrega] pedindo-lhe para apurar um conjunto de factos" e que, na falta de confirmação "nada foi noticiado". "Dados fornecidos por uma fonte que se quer manter anónima não são notícia no PÚBLICO", acrescenta.

No texto, José Manuel Fernandes afirma ainda que um jornalista do Expresso - publicação que nomeia pela primeira vez - recebeu em papel e por intermédio de alguém que não trabalha no Público "parte do conteúdo de uma troca de mensagens entre a direcção editorial do PÚBLICO, um editor e um jornalista".

DN "optou por revelar correspondência privada"

Numa crítica ao Diário de Notícias, o director do Público salienta que o Expresso se recusou a publicar a informação sem "investigar o significado dessas mensagens" e que o DN "optou por revelar correspondência privada com o objectivo de expor a fonte da notícia de 18 de Agosto [manchete do Público]".

No final do editorial, José Manuel Fernandes coloca uma questão que, para si, "não pode ser esquecida: a forma como este tema 'rebentou' num jornal, isto é, as condições em que correspondência interna do PÚBLICO saiu deste jornal e quem a levou a um jornal que não quis fazer investigação própria [DN], ao contrário do Expresso."

"Ninguém nesta empresa lhe 'vasculhou' a correspondência"

Em post-scriptum, o director do Público diz que o jornal "deve um esclarecimento aos seus leitores" afirmando, ao contrário do que o provedor do leitor daquele jornal, Joaquim Vieira, escreveu na sua crónica de domingo, que "ninguém nesta empresa lhe 'vasculhou' a correspondência". José Manuel Fernandes remata com a afirmação de que "o PÚBLICO continua sim a ser o espaço de liberdade que lhe permitiu [ao provedor] fazer as críticas que fez".

As primeiras notícias sobre o caso das escutas motivaram dois duros artigos do provedor do leitor do Público. O primeiro questionava o facto de o assessor jurídico do primeiro-ministro Rui Paulo Figueiredo não ter tido direito a contraditório na primeira manchete que o jornal fez com o «caso das escutas». O segundo, neste domingo, criticava o facto de o jornal ter permitido, nas palavras de Joaquim Vieira, "que o guião da investigação do PÚBLICO fosse ditado pela fonte da PR" - Fernando Lima, conforme se lê no e-mail publicado pelo DN que poderá ler no Especial Caso das Escutas.

"Se [o PR] se limitar a iniciativas pífias terá enfraquecido a sua autoridade como chefe de Estado"

Para José Manuel Fernandes, o afastamento de Fernando Lima pelo Presidente da República não deixa claro que a Presidência esteja a "assumir (...)  que as suas suspeitas de estar a ser vigiada eram falsas ou, então, exageradas".

O director do jornal diz também que "as declarações feitas ainda em Agosto pelo Presidente, assim como o que disse na sexta-feira passada (...) não permitem concluir que essas suspeitas não existem". O editorial sustenta que Cavaco Silva podia ter desmentido ontem as suspeitas e que, não o tendo feito, "Fernando Lima deixou de ter condições pessoais e políticas para falar aos jornalistas".

Sobre a actuação de Cavaco Silva, o veredicto de José Manuel Fernandes é o de que "ou o Presidente fundamenta as suas suspeitas depois das eleições, e age em conformidade, ou se se limitar a iniciativas pífias terá enfraquecido a sua autoridade como Chefe de Estado."

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