Dezenas de professores concentraram-se no Funchal também para mostrar a sua "indignação"

Dezenas de professores da Madeira concentraram-se hoje no Funchal, junto à estátua do descobridor do arquipélago, João Gonçalves Zarco, em apoio à manifestação nacional dos docentes e para mostrar indignação em relação a problemas específicos da classe na região.

"Quisemos associar-nos a esta forma de luta, a esta ação promovida pela FENPROF (Federação Nacional dos Professores) e para manifestarmos também a nível regional, porque temos questões específicas, para mostrar a nossa indignação face a medidas anunciadas e encomendadas pelo FMI", disse a responsável do Sindicato dos Professores da Madeira (SPM).

Segundo Sofia Canha, o objetivo da iniciativa no Funchal é "mostrar a indignação, o descontentamento e sensibilizar a classe docente, apelando à unidade, mas também à sociedade civil porque estas medidas afetam todos".

Falando sobre os problemas específicos dos professores na Madeira, a sindicalista considerou ser "premente denunciar a exclusão dos professores da Madeira no concurso extraordinário promovido pelo Ministério da Educação e a implementação ainda este ano do regime de avaliação".

Sofia Canha argumentou que, embora este modelo não seja novidade, a regulamentação será publicada em breve, "prevê quotas e vagas, o que vai introduzir um elemento de competitividade dentro da escola, numa classe que tem tantas questões que já preocupam".

Além disso, a responsável do SPM sublinhou não fazer sentido "introduzir este modelo, porque os professores estão a ser avaliados quando as carreiras estão congeladas".

Para a presidente do SPM, existem outras "prioridades na Educação, porque as escolas estão a funcionar com dificuldades e muito custo, até dos profissionais, pelo que todo o investimento devia ser na melhoria da qualidade do ensino e do serviço que a escola presta".

Sofia Canha precisou que presentemente estão inscritos no Instituto de Emprego da Madeira 254 professores, mas há "perspetivas de aumento ainda este ano, fazendo uma projeção do que foi anunciado a nível nacional", designadamente a dispensa de 14 mil professores contratados e colocar a mobilidade especial entre 30 e 35 mil outros docentes.

"Projetando-se estas medidas para a região, a classe vai ser atingida de forma significativa", salientou.

A dirigente sindical assegurou que "esta ação não termina aqui", anunciando que o SPM "quer promover mais ações ao longo do ano para sensibilizar o Governo Regional, porque além de reduções salariais e pensões, do aumento horário de trabalho, do abandono escolar, é necessário que sejam tomadas medidas a nível regional para se minimizar o impacto das medidas nacionais".

"Destruir a escola pública é terrorismo social", "queremos ensinar, não queremos emigrar", "os professores são necessários" e "precisamos educar quem não sabe governar" foram algumas das frases que se podiam ler nos cartazes mostrados pelos professores no Funchal.

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