Depoimento de prostituta contraria declarações à PJ, considera advogado de defesa

A defesa de Afonso Dias, acusado do rapto de Rui Pedro, disse hoje que o depoimento da prostituta que diz ter estado com o menor de Lousada contraria alegadas declarações daquela testemunha à PJ e que isso prejudica o arguido.

Paulo Gomes lamenta o facto de as declarações da prostituta, poucos dias após o desaparecimento, não constarem dos autos deste julgamento. Falando à saída do tribunal, no final da sétima sessão, o advogado disse aos jornalistas que no processo consta uma informação dando nota que aquela mulher tinha sido ouvida após o desaparecimento de Rui Pedro.

A acusação sustenta neste julgamento que o único arguido, no dia 04 de março de 2008, seduziu e conduziu Rui Pedro, então com 11 anos, para um encontro com uma prostituta, após o qual nunca mais foi visto. Segundo Paulo Gomes, a investigação de então não valorizou a pista, "porque a senhora deu informações não coincidentes com o suspeito e completamente contraditórias", designadamente quanto à cor do seu carro.

"Cabe na cabeça de alguém que, se a senhora tivesse vindo dizer que tinha estado naquele dia com o Rui Pedro e que o arguido era o Afonso, que ninguém seguisse essa pista", perguntou o jurista, concluindo: "Isso não seria incompetência, seria outra coisa". O jurista comentava o facto de, alegadamente, a prostituta não ter identificado Afonso Dias poucos dias após os factos e, 13 anos depois, em julgamento, afirmar não ter dúvidas que o homem que levou Rui Pedro era o arguido.

Neste processo, a prostituta Alcina Dias só foi formalmente ouvida em 2008, no inquérito deste processo, um atraso também muito criticado pelos assistentes. Paulo Gomes também manifestou estranheza com o facto de um comerciante ter vindo hoje dizer ao tribunal ter visto, no dia do desaparecimento, uma criança com uma prostituta na zona de Lustosa. Essa testemunha tinha prestado declarações à data dos factos, mas os dados da inquirição não constam do processo em julgamento. "Se ele foi ouvido pela PJ, devia haver registo disso para benefício de arguido. Se, na altura, não lhe deram importância é porque não disse nada de relevante para o arguido", sustentou.

Para a defesa de Afonso Dias, se as declarações do comerciante fossem "credíveis teriam sido seguidas". Por causa destas dúvidas, sublinhou Paulo Gomes, é que a defesa fez questão "que os inspetores venham, no dia 12, dizer o que fizeram, seja a favor ou em desfavor do arguido".

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