Defesa volta a pedir perícias sobre crimes de Lisboa

A defesa de José Guedes, que se assumiu como "estripador de Lisboa", vai pedir novamente a realização de exames periciais, para tentar provar que não foi o autor dos três homicídios ocorridos há 20 anos, na região de Lisboa.

A informação foi avançada pela advogada Poliana Ribeiro à agência Lusa, hoje, a véspera do início do processo de seleção dos jurados para o tribunal de júri que julgará José Guedes pelo homicídio de uma jovem, em 2000, nos arredores da cidade de Aveiro.

Apesar dos crimes de Lisboa, ocorridos entre 1992 e 1993, já terem prescrito, a advogada de José Guedes considera que fazem parte deste processo e quer provar que o seu cliente não é o "estripador de Lisboa".

"Provar que ele não tem nada a ver com os crimes de Lisboa é um grande passo para provar que não tem nada a ver com este de Aveiro, também", diz a causídica.

Poliana Ribeiro lembra que, quer num caso, quer noutro, a "única prova que existe" é uma conversa com uma jornalista, na qual José Guedes reclama a autoria de três homicídios em Lisboa, que vitimaram três prostitutas.

Questionada pela Lusa sobre os exames periciais que irá requerer, a advogada explicou que se trata da comparação do ADN e da impressão palmar do suspeito com os vestígios recolhidos na altura dos crimes do "estripador de Lisboa".

A defesa de Guedes já tinha requerido anteriormente estes exames, mas não chegaram a realizar-se.

"Disseram-me que a comparação da impressão palmar apenas servia para excluir um suspeito, mas eu vou insistir para que me digam se está excluído ou não", disse a causídica.

Quanto ao ADN, o detido recusou-se em maio passado a ser submetido à colheita de material biológico para a realização deste exame pericial, mas a advogada esclareceu que se tratou de um mal entendido do seu cliente e assegurou que, desta vez, "o exame será feito com a sua autorização".

O tribunal de Aveiro vai começar esta quarta-feira o processo de seleção dos jurados para o julgamento de José Guedes, que se encontra detido desde novembro do ano passado no estabelecimento prisional de Aveiro.

Numa primeira fase, serão escolhidas cem pessoas, selecionadas de forma aleatória nos cadernos eleitorais do concelho de Aveiro, onde terá decorrido o crime.

Posteriormente, será feito um sorteio para escolher 18 cidadãos e, deste grupo, o presidente do coletivo de juízes escolhe oito, quatro deles para efetivos e outros quatro para suplentes do tribunal de júri.

No mesmo dia, serão também agendadas as sessões para o início do julgamento com tribunal de júri, que foi pedido pelo Ministério Público.

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