Defesa de Vara não chama Sócrates a depor em tribunal

A defesa de Armando Vara, arguido no processo "Face Oculta", não vai chamar o ex-primeiro ministro José Sócrates a depor no julgamento que está a decorrer no tribunal de Aveiro.

A posição foi assumida após o coletivo de juízes, que está a julgar o caso, ter rejeitado um novo pedido do advogado Tiago Rodrigues Bastos, que defende Armando Vara, para ter acesso a todas as escutas de conversas telefónicas efetuadas ao seu cliente, incluindo as que envolvem José Sócrates.

Em causa estão as escutas realizadas no âmbito do processo "Face Oculta", que foram mandadas destruir por ordem do presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha de Nascimento, por "não terem relevância criminal".

A defesa de Vara pretendia ter acesso a estas provas para perceber que "tipo de contacto" existiu entre o arguido e José Sócrates e retirar "esta carga da ideia de que houve algum tipo de influência".

Armando Vara, que está acusado de três crimes de tráfico de influência, é suspeito de ter intercedido junto do então primeiro-ministro José Sócrates, no sentido de manter Cardoso dos Reis no cargo de presidente da CP, quando se supunha que a então secretária de Estado dos Transportes Ana Paula Vitorino pretendia afastá-lo.

Em declarações hoje à Lusa, Tiago Rodrigues Bastos afastou a hipótese de chamar José Sócrates para depor em audiência de julgamento, considerando que isso seria "uma autêntica chicana à volta do processo para discutir aquilo que não interessa para o processo".

"Não fomos nós, em momento algum, que trouxemos para o processo o tipo de relacionamento que o doutor Armando Vara tinha ou deixava de ter com o então primeiro-ministro. O que não queremos é que fique nenhuma nebulosa sobre isso, mas isso não é matéria do processo", afirmou.

Relativamente à resposta do tribunal ao seu requerimento, o causídico disse que já esperava aquela decisão. "A decisão é coerente com a posição que o tribunal tem tomado, com a qual discordamos", afirmou.

O processo "Face Oculta" está relacionado com uma alegada rede de corrupção, que teria como objetivo o favorecimento do grupo empresarial do sucateiro Manuel Godinho, nos negócios com empresas do setor empresarial do Estado e privadas.

Entre os arguidos estão personalidades como Armando Vara, antigo ministro e ex-administrador do BCP, José Penedos, ex-presidente da REN, e o seu filho Paulo Penedos.

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