Daniel Bessa: actual lei laboral leva a emprego precário

O economista Daniel Bessa afirmou hoje que a actual legislação laboral, que "faz as delícias do Governo", apenas tem servido para levar as pessoas para a situação de emprego precário.

O antigo ministro da Economia do Governo de António Guterres, que participou hoje no evento "Mais Sociedade", disse, dirigindo-se ao líder do PSD, Pedro Passos Coelho, que "não teria nada a dizer contra a legislação do trabalho, que faz as delícias do Governo ainda em funções, se ela fosse eficaz".

Para Daniel Bessa, "essa querida legislação laboral não contrata praticamente ninguém e já pôs mais de metade dos portugueses em contratos a prazo e falsos recibos verdes".

A solução que o economista defende é "acabar com os contratos a prazo e com os recibos verdes" ou seja "proibir", sendo necessária uma outra legislação, "um outro normativo para o contrato de trabalho".

De manhã, Daniel Bessa foi questionado sobre o facto de, enquanto figura ligada ao PS, estar agora associado a um fórum promovido pelo PSD, mas o economista desvalorizou e disse não temer críticas.

"Este não é o momento de discutir pessoas, estão aqui a discutir-se políticas e algumas das coisas que estão aqui - umas mais fraturantes que outras - têm de ter um consenso generalizado", afirmou.

Sublinhou, a propósito, que "aqui ninguém está enganado" e que "Portugal merece o esforço de todos em cada momento e onde há melhores condições para o realizar".

O "Mais Sociedade" é uma iniciativa de cidadãos independentes que surgiu em resposta a um desafio do presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, no verão de 2010, com o objetivo de promover uma discussão sobre o futuro do país.

A iniciativa, financiada pelo PSD, comprometeu-se a apresentar um relatório final dos seus trabalhos aos sociais-democratas, mas o coordenador do movimento, António Carrapatoso, já frisou que as propostas que surgirem no âmbito do "Mais Sociedade" apenas responsabilizam os seus subscritores individuais, não comprometendo nem o movimento no seu todo nem o PSD, que deverá apresentar o seu programa eleitoral no início de Maio.

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