Dados de adesão são uma "manipulação" do Governo

O secretário-geral da UGT, João Proença, considerou hoje uma "manipulação" os dados apresentados pelo Governo sobre a adesão à greve, que apontam para cerca de 10 por cento de grevistas na Administração Pública. Até porque, garantiu, a paralisação de hoje teve maior adesão que a do ano passado.

"O documento que o Governo pôs cá fora as 11.30 é uma vergonha, ultrapassa os limites da decência", afirmou João Proença na conferência de imprensa de balanço do dia de greve geral conjunta das duas centrais sindicais.

Pelas 11.30, o Governo disse que os números de adesão eram de 3,6 por cento, tendo actualizado esse valor para os 10,48 por cento pelas 18 horas.

Para o líder sindical, que falou ainda antes deste último número ser conhecido, houve uma "clara manipulação" dos dados, considerando "anedótico" que no Hospital de Santa Maria a adesão tenha sido de pouco mais de 200 trabalhadores, segundo o Governo, e criticou ainda que "não tenha sido feito um levantamento nas escolas".

O secretário-geral da UGT considerou um "êxito" a greve geral, afirmando que a adesão foi mesmo superior à realizada há precisamente um ano.

"Foi uma greve claramente maior, comparada com o ano passado", afirmou João Proença, na conferência de imprensa de balanço feita em conjunto com a CGTP.

A greve geral que a UGT e a CGTP marcaram para hoje é a segunda conjunta das duas centrais sindicais (a primeira foi precisamente há um ano) e a sétima realizada em Portugal nos últimos 29 anos.

Esta deverá também ser a última greve geral em que os secretários-gerais da CGTP e da UGT, Carvalho da Silva e João Proença, já que deverá ser a última vez que o fazem enquanto líderes sindicais.

A aproximação das centrais sindicais para esta greve geral aconteceu depois de o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, ter anunciado em meados de outubro um novo pacote de austeridade para combater o défice público, que consta do Orçamento do Estado para 2012 (OE2012).

Entre outras medidas, da proposta de OE2012 consta a suspensão do subsídio de férias e de Natal para os trabalhadores do setor público e reformados. O corte começa a aplicar-se a quem receba salários ou pensões acima de 485 euros. Neste caso, e até aos mil euros, o corte será progressivo, mas a partir de mil euros, é cortado o subsídio de férias e de Natal por inteiro.

O chefe do Governo anunciou também que o executivo vai reduzir o número de feriados e permitir que as empresas privadas aumentem o horário de trabalho em meia hora por dia, sem remuneração adicional.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG