Cristas, a construtiva, lança o partido da classe média

CDS tem hoje o arranque oficial em Oliveira do Bairro com alvo apontado ao BE e ao PCP e de olhos postos nas autárquicas

O CDS já foi o partido dos reformados, dos agricultores e dos contribuintes. Os centristas vão apresentar-se como o "partido da classe média" no arranque do ano político, com uma festa popular hoje em Oliveira do Bairro. No discurso, a líder Assunção Cristas vai dirigir-se à classe média para dizer que está a pagar a fatura das exigências do PCP e do BE. Sem esquecer o Orçamento, vai assumir-se como "oposição construtiva".

O vice-presidente do CDS, Adolfo Mesquita Nunes, fez uma antecipação ao DN do que será a intervenção política, assumindo que um dos pontos principais "é explicar à classe média que é ela que está a financiar a agenda do PCP, do BE e da CGTP." O dirigente do CDS acredita que esta agenda da esquerda "está a trazer custos para a ação social e a abdicar da prestação de serviços públicos para financiar essa agenda." No discurso, a líder dará também "exemplos dessa destruição de serviços públicos".

Assunção Cristas, acredita Adolfo Mesquita Nunes, vai avisar a classe média de que será "alvo deste governo" e que "para a esquerda ricos são todos os que são da classe média".

Cristas abordará ainda "os problemas macroeconómicos", mas no sentido de fazer uma "relação direta entre esses dados e a vida das pessoas."

Quanto a exemplos de políticas de esquerda que afetam a classe média, Adolfo Mesquita Nunes dá como exemplo o facto de o "fisco poder aceder às contas bancárias acima de 50 mil euros".
Será também feito um ataque ao "ao PCP e ao BE, para que as pessoas percebam que o apoio destes partidos [ao PS] não é inconsequente".

É possível que Cristas apresente também mais ideias do CDS para o Orçamento do Estado para 2017. No encerramento da Escola de Quadros no último domingo - cujo discurso foi na mesma linha do que se espera hoje - Assunção Cristas apresentou duas propostas concretas: uma na área da educação outra na do investimento. Agora poderá fazê-lo, mas moderadamente, para não antecipar o calendário de debate do Orçamento.

Vai ainda destacar, explica o vice-presidente do CDS, uma "política pela positiva". Adolfo Mesquita Nunes admite que nesse ponto o CDS e o PSD "são diferentes" e que "cada um tem um seu estilo", mas a ideia não é mandar farpas aos sociais-democratas, já que os dois partidos são "complementares".
O alvo é mesmo o PCP e o BE, até porque "quando pressionados demonstram várias contradições, que sempre dissemos que iam aparecer".

O evento de hoje em Oliveira do Bairro é a rentrée oficial do partido e vai começar a partir das 18.00, no Largo do Troviscal. Fonte centrista explicou ao DN que se trata de "uma festa popular", com porco no espeto e uma noite de fados.

Também atuará uma banda que se chama Plano B, mas os centristas justificam que não se trata de nenhuma indireta ao plano escondido que a oposição acusava o ministro Mário Centeno de ter no Orçamento para 2016.

São esperadas mais de duas mil pessoas e os dirigentes do CDS estarão presentes em peso. Às 19.45 vão ter início as intervenções políticas: além do presidente da distrital, Jorge Pato, falará o porta-voz do partido (o deputado João Almeida) e a líder Assunção Cristas.

A escolha de Oliveira do Bairro não é inocente. Está relacionada com a aposta do CDS nas autárquicas. Nas últimas eleições o CDS ficou a 731 votos de vencer a câmara. Em 2017 quer ganhá-la.

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