Costa vai dizer a Merkel que Portugal admite mais refugiados

Primeiro-ministro faz esta sexta-feira uma viagem relâmpago à Alemanha. Visita com componente política, cultura e económica.

Depois de ontem ter presidido à reunião do Conselho de Ministros que aprovou a proposta de Orçamento do Estado para 2016, António Costa meteu-se num avião da TAP e voou até Berlim.

Para hoje às 12.10 (11.10 em Lisboa) tem previsto na chancelaria federal um almoço com a chanceler Angela Merkel, após o qual haverá uma conferência de imprensa conjunta.

A assessoria de imprensa do primeiro-ministro garante que o Orçamento português não está na agenda das conversas com a chanceler. Mas também hoje o OE 2016 estará em discussão no colégio de comissários da UE, em Bruxelas.

Haverá um único governante a acompanhar Costa - a secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Margarida Marques. Do lado alemão, a única governante será a própria chanceler. O resto do grupo germânico que participará no almoço com a delegação portuguesa será composto por conselheiros de Merkel.

Segundo informações do gabinete de Costa, a questão dos refugiados poderá ser central na conversa entre os dois chefes de governo. O primeiro-ministro tenciona dizer que pelo facto de Portugal não estar a ser "pressionado" por vagas de refugiados do Médio Oriente - ao contrário do que acontece com a Alemanha - não quer dizer que não esteja interessado no tema, muito pelo contrário. Portugal dispôs-se a receber quase cinco mil refugiados mas não chegaram mais de 45.

Para Costa, a questão dos refugiados será o meio simbólico de Portugal continuar a demonstrar o seu "empenhamento no aprofundamento do projeto europeu". Por outras palavras: esta é uma história exemplar de como a UE só pode resolver os seus problemas em conjunto e com solidariedade entre os Estados membros e não na lógica do cada um por si.

O primeiro-ministro tenciona reforçar a ideia de que Portugal continua fiel aos princípios basilares do sistema Schengen - ou seja, ao princípio da livre circulação de pessoas no espaço comunitário. Contudo, também sublinhará ser a favor da constituição de um corpo europeu de guardas costeiros e de fronteiras - não deixando portanto essa tarefa a cada Estado por si próprio.

A viagem de Costa - que durará menos de um dia (hoje à noite já estará de regresso a Lisboa) - também terá componente cultural (com a inauguração do novo Centro Cultural Português em Berlim) e económica.

Antes do almoço com a chanceler, o primeiro-ministro visitará a Feira da Agricultura que está a decorrer em Berlim (Fruit Logistica 2016), querendo com isso significar o empenhamento do governo português no aumento das exportações de produtos agrícolas de Portugal para a Alemanha.

Em termos de saldo comercial global, a Alemanha ocupa o segundo lugar do pódio - depois da Espanha - com quem Portugal tem maior défice comercial (portanto, importa mais do que exporta). Em 2014 - último ano de que há estatísticas completas -, o saldo negativo foi de 1,7 mil milhões de euros. No ano anterior essa posição era ocupada pela Itália.

As estatísticas do comércio internacional relativas a 2014 feitas pelo INE revelam que as importações da Alemanha têm vindo a aumentar: 6,4 mil milhões em 2012, 6,5 mil em 2013 e 7,3 mil em 2014. Já as exportações de Portugal para aquele país parecem, no mesmo triénio, estabilizadas: 5,6 mil milhões (2012), 5,5 em 2013 e novamente 5,6 mil milhões em 2014.

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