Costa recua nas alterações à Avenida da Liberdade

A circulação na faixa central da Avenida da Liberdade, Lisboa, voltará a ser como antes das alterações impostas pela câmara em setembro e as faixas laterais permitirão o atravessamento entre a rua Alexandre Herculano e o Largo da Anunciada.

Estas são as principais alterações que a Câmara de Lisboa, de maioria socialista, pretende fazer naquela zona, que foi alvo de várias alterações a título experimental no trânsito em setembro numa tentativa de se tirar carros e reduzir a poluição.

Findo o período experimental, o vereador da Mobilidade, Nunes da Silva, explicou hoje à Lusa que vai propor na próxima reunião de câmara, na quarta-feira, que a faixa central da avenida "regresse ao que estava anteriormente", ou seja, com duas faixas para carros particulares no sentido ascendente e uma no sentido descendente. Em cada sentido havia também uma faixa para transportes públicos (BUS).

Desde setembro que a Avenida da Liberdade conta apenas com duas faixas em cada sentido: uma para os transportes públicos e a outra para os restantes veículos.

Segundo um relatório do pelouro da Mobilidade para avaliar o período experimental, que decorreu entre setembro e o final de dezembro, este retrocesso visa "aumentar a fluidez de tráfego, visto que este sentido foi o que apresentou resultado negativos em termos de circulação".

Nunes da Silva disse ainda que a proposta da câmara vai no sentido de o Marquês de Pombal continuar com as duas rotundas e de as faixas laterais permitirem o atravessamento desde a rua Alexandre Herculano até ao Largo da Anunciada.

"Só não é possível no final da avenida por causa da entrada e saída do parque de estacionamento", explicou.

No entanto, as faixas laterais continuam com o mesmo sentido de trânsito que têm atualmente.

As ciclovias na faixa central da Avenida da Liberdade vão ser eliminadas e passar para as faixas laterais para proporcionar mais "condições de segurança" aos ciclistas.

"Com a introdução da continuidade de circulação nas vias laterais e a consideração da circulação de bicicletas nestas vias, torna-se possível e desejável assegurar também a continuidade da circulação de peões entre as placas centrais ajardinadas com a introdução de passadeiras de peões entre estas", lê-se no relatório.

Será ainda invertido o sentido do trânsito no quarteirão nascente entre a Rua das Pretas e Largo da Anunciada, eliminando a volta à esquerda para a Praça da Alegria. Também as voltas à esquerda na Rua das Pretas vão ser eliminadas em ambos os sentidos.

À semelhança do que acontece no topo sul da Praça dos Restauradores, vai ser possível fazer-se inversão de marcha no topo norte.

O objetivo é evitar-se "deslocações desnecessárias pela Avenida de Liberdade".

Esta é uma tentativa da Câmara de Lisboa de tirar carros daquela zona e reduzir a poluição.

No relatório, a vereação da Mobilidade afirma que, "nos últimos anos, a cidade de Lisboa tem apresentado concentrações de partículas inaláveis (PM10) superiores aos valores limite estabelecidos pela legislação nacional e comunitária, sobretudo nas zonas de maior tráfego", o que originou um processo de contencioso contra o Estado português.

"A multa aplicada ao Estado Português por não cumprimento das normas europeias da qualidade do ar é de 1.897.000 euros, a que acrescem 630 euros/dia até cumprirmos os valores legais de poluição", refere o documento.

O relatório refere ainda que a maioria dos contributos recolhidos na consulta pública às alterações no Marquês de Pombal e na Avenida da Liberdade se "manifestou a favor da alteração proposta" pelo executivo, "sendo que os aspetos positivos realçados estão relacionados com a melhoria da qualidade do ar e do ambiente urbano (redução do ruído), a previsível diminuição do tráfego automóvel e a criação de melhores condições de circulação pedonal e ciclável na avenida".

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