Costa pode integrar governo de Passos e Portas? Sim, dizem da coligação

Coligação deverá aceitar todas as contrapropostas socialistas.

Segundo o Expresso, que cita fonte da coligação, Passos Coelho e Paulo Portas estão dispostos a aceitar "todas" as contrapropostas de António Costa ao documento enviado ao PS pela coligação.

Segundo a fonte da coligação citada, a "disponibilidade vai ao ponto de admitir a entrada de António Costa ou outros nomes do PS num futuro Governo".

O que diz o "Documento facilitador"

Para conseguir uma governabilidade estável em toda a legislatura e impedir um aliança à esquerda, a coligação PaF pode estar receptiva a ter o PS no seu Governo. No "documento facilitador" de compromissos, entregue ontem o largo do Rato, a coligação descreve, com alguma ambiguidade, as posições assumidas pelos seus líderes na reunião com António Costa, no passado dia nove de outubro. "Nela, os líderes da coligação Portugal à Frente manifestaram e reiteraram a sua total abertura, no que concerne à formação e composição do governo, ao programa do governo e aos Orçamentos de Estado e programas de estabilidade, para trabalhar em trono das propostas que o PS considerasse essenciais à construção de um abiente duradouro de estabilidade, procedendo-se também à devida análise de estudos de impacto, de mod a compatibilizá-las cm a ação do futuro governo", é escrito. Esta parágrafo levanta a dúvida sobre que alcance teve, na reunião, a discussão sobre a "formação e composição" do governo, uma vez que, recorde-se "inconclusiva" e "vazio total" foram as expressões utilizadas por António Costa para caracterizar o encontro.

O conjunto de ideias que a coligação PaF entregou ontem ao PS, como ponto de partida para uma governabilidade centro-direita, foram retiradas ipsis verbis do programa eleitoral dos socialistas. "Manifestar abertura para" é como começa cada um dos quatro capítulos do documento, abrangendo o mesmo número de áreas - Remoção das medidas de austeridade e aumento do rendimento das famílias; defesa do Estado Social, Saúde e Educação; Ciência Inovação e Cultura; Respeito pelos compromissos europeia e internacionais - , dentro das quais são elencadas as 26 ideias.

No documento, a que a TSF teve acesso, a coligação vem "manifestar abertura" para, por exemplo, "negociar uma aceleração da sobretaxa do IRS" ou "atualizar" o valor do salário mínimo nacional. PSD e CDS estão ainda dispostos a "formalizar e regular na lei, para novos contratos (...) um procedimento conciliatório e voluntário, que regule os passos e formalidades para a cessação do contrato de trabalho". Recorde-se que esta proposta, que consta do programa eleitoral socialista tem a total oposição do BE e a sua exclusão foi uma das condições de Catarina Martins, para apoiar um Governo socialista. A PaF manifesta ainda "abertura" para "deixar de lado, em sede de uma reforma estrutural da Segurança Social, o princípio do plafonamento das contribuições das pensões, tanto da dimensão horizontal, como va vertical (constantes nos programas eleitorais, respetivamente, da coligação Portugal à Frente e do PS)".

Parte das medidas apresentadas, e que hoje à tarde serão o tema da reunião entre António Costa, Passos Coelho e Paulo Portas, são "estudar", "reforçar", "lançar", "considerar", "discutir" várias ideias nas áreas definidas como prioritárias para o PS.

A coligação pretende que este documento seja a base de um "Acordo de Princípios" com o PS e entende ser "desejável e vantajoso para ambas as partes que possa ficar previsto um mecanismo de acompanhamento e monitorização dos compromissos estabelecidos, a realizar ao longo de toda a legislatura".

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