Costa já deixou Belém como primeiro-ministro

Cavaco diz que a continuação do governo de Passo e Portas "não corresponderia ao interesse nacional"

Quase uma hora de reunião e mais uma vez sem dizer nada mais do que um "bom dia" sorridente. António Costa deixou Belém, em cima das 12.00, sem esclarecer os jornalistas se tinha sido indigitado pelo Presidente da República.

Foi num comunicado da Presidência da República, entregue aos jornalistas, que essas dúvidas foram dissipadas, dez minutos depois de o secretário-geral do PS ter deixado Belém: António Costa saiu indigitado como primeiro-ministro.

A continuação em funções do XX Governo Constitucional não corresponderia ao interesse nacional

Cavaco Silva tinha marcado esta nova reunião com António Costa após receber, ontem ao fim da tarde, a carta do líder do PS com as respostas às suas dúvidas quanto às seis "omissões" que o Presidente da República encontrou nos acordos assinados à esquerda.

E esta terça-feira Cavaco Silva disse, no comunicado divulgado, que "tomou devida nota às dúvidas suscitadas pelos documentos subscritos com o Bloco de Esquerda, o Partido Comunista Português e o Partido Ecologista 'Os Verdes' quanto à estabilidade e durabilidade de um governo minoritário do Partido Socialista, no horizonte temporal da legislatura".

O Presidente da República reconheceu que manter o Governo de Passos Coelho "em funções", "limitado à prática dos atos necessários para assegurar a gestão dos negócios públicos, não corresponderia ao interesse nacional", pelo que acaba o comunicado a divulgar que, "ouvidos os partidos políticos com representação parlamentar, indicar o dr. António Costa para primeiro-ministro".

À semelhança de 2009 e 2011, em que divulgou a indigitação dos primeiros-ministros por um comunicado, Cavaco Silva deve guardar-se para falar ao país na tomada de posse do executivo socialista.

Leia na íntegra a informação colocada no site da Presidência da República:

Na sequência da audiência hoje concedida pelo Presidente da República ao Secretário-Geral do Partido Socialista, Dr. António Costa, a Presidência da República divulga a seguinte nota:

"As informações recolhidas nas reuniões com os parceiros sociais e instituições e personalidades da sociedade civil confirmaram que a continuação em funções do XX Governo Constitucional, limitado à prática dos atos necessários para assegurar a gestão dos negócios públicos, não corresponderia ao interesse nacional.

Tal situação prolongar-se-ia por tempo indefinido, dada a impossibilidade, ditada pela Constituição, de proceder, até ao mês de abril do próximo ano, à dissolução da Assembleia da República e à convocação de eleições legislativas.

O Presidente da República tomou devida nota da resposta do Secretário-Geral do Partido Socialista às dúvidas suscitadas pelos documentos subscritos com o Bloco de Esquerda, o Partido Comunista Português e o Partido Ecologista "Os Verdes" quanto à estabilidade e durabilidade de um governo minoritário do Partido Socialista, no horizonte temporal da legislatura.

Assim, o Presidente da República decidiu, ouvidos os partidos políticos com representação parlamentar, indicar o Dr. António Costa para Primeiro-Ministro."

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