Convenção em julho une tendências em moção única

Correntes de Catarina Martins e de Pedro Filipe Soares devem apresentar texto comum. Só uma tendência minoritária deve avançar sozinha

A X Convenção do Bloco de Esquerda (BE) deverá ser agendada para 2 e 3 de julho (o primeiro fim de semana daquele mês). De acordo com informações recolhidas pelo DN, essa terá sido a proposta de Catarina Martins na reunião da Comissão Política de ontem à noite - e não terá merecido reservas de maior entre a direção dos bloquistas -, embora a decisão sobre a calendarização da reunião magna só possa ser fechada na Mesa Nacional do próximo domingo.

Na base da antecipação da convenção estará a intenção de o partido fazer uma "definição estratégica para os próximos momentos políticos". Tradução? Acertar agulhas para a discussão do Orçamento do Estado para 2017, evitando ao mesmo tempo que as questões internas sejam tratadas em paralelo com a preparação do documento que o governo terá de entregar na Assembleia da República até 15 de outubro.

Estatutariamente não existe uma baliza temporal para a marcação da convenção, embora as reuniões do órgão máximo do BE costumem acontecer nos últimos meses do ano - a última, por exemplo, em que o líder parlamentar, Pedro Filipe Soares, desafiou a então coordenação bicéfala de Catarina Martins e João Semedo realizou-se em novembro de 2014.

Mas esse é, de resto, um cenário que não deverá repetir-se dentro de três meses. Os melhores resultados eleitorais de sempre do BE (quer nas legislativas quer nas presidenciais com o apoio a Marisa Matias) dão pouca margem a que apareça qualquer foco de oposição expressivo.

E mais: em maio do ano passado, já depois da IX Convenção, a Plataforma Unitária, de que fazem parte Catarina Martins, Francisco Louçã, João Semedo, Marisa Matias ou Mariana Mortágua, e a Tendência Esquerda Alternativa, de Pedro Filipe Soares, Luís Fazenda ou Joana Mortágua, iniciaram o caminho da convergência. Numa declaração das duas correntes ficou expressa "a vontade de iniciar um processo para a apresentação de uma moção de orientação conjunta" à próxima reunião magna. E assim deverá acontecer, embora as negociações ainda decorram.

Nos bastidores, Catarina Martins tem procurado cimentar essa aproximação, também no plano das ideias para o novo ciclo político. E nem o apoio ao executivo de António Costa parece estar a criar particular embaraço, mesmo quando a declaração previa que o BE não se submeteria a "acordos de incidência parlamentar, globais ou setoriais, com os partidos subscritores do memorando com a troika e comprometidos com o Tratado Orçamental".

A convergência programática que várias vozes bloquistas realçam passa também pelos limites do acordo com o PS. Divergências, essas, recordam, que "são conhecidas": renegociação da dívida e Tratado Orçamental.

No "casamento" entre as duas maiores tendências pode "intrometer-se" a antiga moção B (Refundar o Bloco"), de Adelino Fortunato - cujos subscritores também poderão ir a jogo com a Plataforma Unitária e a Esquerda Alternativa.

De fora, face à última convenção, só deverá ficar a outra tendência minoritária, a da moção R (Reinventar o Bloco), encabeçada por Nuno Moniz, que, entre outras críticas, olha com desconfiança para a parceria com os socialistas.

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