Construções na Areia começaram há 60 anos

Iniciativa do 'Diário de Notícias' deu os primeiros passos a 6 de setembro de 1952, no Tamariz. Multidão assistiu ao evento, que contou com jovens entre os seis e os 15 anos. Edição deste ano começa na sexta-feira, em Santa Cruz e Tavira-ilha

10.30. Praia do Tamariz, no Estoril. 6 de setembro de 1952. A "equipa de exploradores" apresenta-se no areal, munida de todas as ferramentas indispensáveis: "Baldes, pás e picaretas (e muitos 'adereços' para embelezar as construções)". Elas vestem maillot ou "vestidinhos claros", "quase todas trazem chapéus brancos com fitas de cores berrantes". Eles aparecem "de tronco nu, um boné de pala na cabeça, por causa do sol". Têm entre seis e 15 anos. À volta, a multidão assiste.

A descrição - retirada do DN de 7 de setembro de 1952 - é do dia inaugural e da primeira edição das Construções na Areia, uma iniciativa do Diário de Notícias, mas poderia ser, exceção feita à indumentária, a de qualquer outra sessão do concurso juvenil criado há 60 anos. A partir de sexta-feira, o cenário repete-se pela 55.ª vez, do continente às ilhas, numa geografia bem diferente da daquela época.

Se hoje a festa das esculturas efémeras acontece um pouco por todo o País, naquele ano chegou somente a oito zonas balneares. Ao Tamariz seguiram-se a Costa de Caparica, São Martinho do Porto, Espinho, Vila do Conde, Figueira da Foz, Póvoa de Varzim e Praia da Rocha, em Portimão. Sempre com "grandes multidões" e "extraordinário êxito". Os premiados, esses, foram 96, distribuídos por três categorias: uma dos seis aos oito anos, outra dos nove aos 11 e a restante dos 12 aos 15.

Todos eles, garante o DN de 6 de setembro de 1952, seriam agraciados com "as mais belas prendas como recompensa de umas férias bem ganhas e de um bocadinho de habilidade". A lista dos prémios surge depois: "Bicicletas das boas, das autênticas, daquelas que andam bem mas custam muito dinheiro; uma máquina fotográfica de categoria; um bom barco pneumático modelo R.A.F., daqueles em que apetece ficar horas e horas na água; e uma complicada construção mecânica, com a qual é possível fazer tudo o que nos der na vontade e até onde for o nosso engenho."

A iniciativa, explicava o DN de 5 de setembro de 1952, pretendia ser "um passatempo curioso e divertido para todos os pequenos frequentadores das nossas praias, de um pretexto singelo para que cada um deles possa revelar as suas aptidões artísticas numa competição que terá certamente, em todos os sítios, momentos de encanto, de imprevisto e até de emoção". O tempo provaria que seria um evento não só para os participantes, mas também para as suas famílias.

"'Faz um monte com estradas, casas e moinhos' - sugeria a mãe. 'Podes pôr lá no alto uma igrejinha com campanário e uns bonecos a fingir de trabalhadores a cuidar da terra.' 'Isso é muito difícil' - objetava o pai", no início de um debate longo, que incluiria também tios e irmãos, apanhado pelo repórter do DN no Tamariz e que seria apenas um exemplo das décadas que então estavam para vir.

Com 60 anos de idade, o concurso das Construções na Areia tem este verão a sua 55.ª edição, em mais um capítulo de uma história já longa e que, até agora, teve apenas um interregno de cinco anos, entre 1974 e 1979.

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