Confissão de um chefe da CIA: 25 de Abril apanhou americanos na hora de almoço

O colóquio Os Ecos Internacionais da Revolução dos Cravos evocou em Paris importantes interrogações sobre o efeito da dinâmica revolucionária entre 1974 e 1975 no desequilíbrio que provocou nas superpotências.

A surpresa norte-americana perante a revolução verificada em Portugal a 25 de abril de 1974 foi tão grande que o responsável da CIA em Londres, Cord Meyer, caracterizou a saída do movimento militar para as ruas de Portugal como um acontecimento que "apanhou os Estados Unidos na hora de almoço". Situação com a qual o secretário de Estado Henry Kissinger concordou ao admitir que "Washington nada sabia sobre qualquer um dos protagonistas envolvidos" na revolução, até porque o embaixador norte-americano em Lisboa, Stuart Nash Scott, estava ausente da capital portuguesa, para participar num jantar da Harvard Law School e desconhecia qualquer evolução do golpe militar.

A revolução do 25 de Abril poderia não incomodar os Estados Unidos se após o dia seguinte o Processo Revolucionário em Curso não viesse a pôr em questão todo o equilíbrio entre as duas superpotências - Estados Unidos e União Soviética -, no que respeita à Guerra Fria em curso e que dividia como nunca o planeta nessa época em duas realidades políticas em que nem uma nem outra potência queriam perder o seu protagonismo.

O 25 de Abril e a desestabilização na Guerra Fria foi um dos aspetos debatidos no colóquio realizado em Paris com o tema Os Ecos Internacionais da Revolução dos Cravos, que ocorreu na delegação da Fundação Calouste Gulbenkian, num debate moderado pelo professor da Universidade de Bolonha Mario Del Pero, que é também docente da prestigiada instituição francesa Sciences Po.

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