CONFAP quer saber qual o plano do Governo para a revisão curricular

A Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) solicitou hoje que o ministro da Educação esclareça "com a brevidade possível" qual o caminho proposto para a revisão curricular, lembrando que o programa do Governo previa um amplo debate.

"No programa do Governo está previsto um debate nacional sobre a estratégia para a Educação, num horizonte de 20/30 anos", disse à agência Lusa o presidente da CONFAP, Albino Almeida, defendendo que esse debate devia preceder as "medidas que o ministro tem vindo a anunciar". O documento da estratégia orçamental até 2015, fala em supressão de ofertas educativas não essenciais, sem especificar, mas aos poucos têm vindo a ser desvendadas as intenções do Governo.

Na edição de hoje do jornal Público, o ministro diz ter mais duas medidas em estudo, num contexto de revisão curricular e de contenção de despesa. Questionado pelo jornal sobre o número de disciplinas a reduzir, Nuno Crato responde que no 9.º ano os alunos já dominam os computadores, pelo que poderá não fazer sentido manter aí uma disciplina de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). A outra medida, segundo o ministro, tem a ver com o chamado par pedagógico em Educação Visual e Tecnológica (EVT). Nuno Crato reconhece que pode ser bom ter dois professores, em simultâneo, na mesma sala, mas alega que o país não está em condições de suportar tais custos.

O presidente da CONFAP até concorda que no 9.º ano os alunos já têm conhecimentos de informática, mas questiona quais serão as verdadeiras intenções, se colocar a disciplina no 1.º ou no 2.º ciclo ou simplesmente eliminá-la. "O que não pode ficar em causa é a qualificação dos portugueses. Ninguém no futuro vai trabalhar sem recurso a computadores", declarou. Sobre EVT, Albino Almeida considerou que a "falta de estratégia" ao longo dos anos e de sucessivos governos tem feito com que se juntem e separem as matérias que se pretendem abordar nesta disciplina. "Estas medidas assim nunca vão resultar, vem um governo junta, vem outro e separa. É por isso que é preciso o tal debate que nos envolva a todos", sustentou o presidente da CONFAP.

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