Como vai querer a sua canábis, em pomada ou biscoitos?

O uso de canábis para fins medicinais fez explodir o mercado em Silicon Valley, nos EUA, com centenas de start-ups a aparecerem.

Na sala de espera da loja Green Goddess, em Venice Beach, há vários pacientes a aguardar que as suas receitas sejam aviadas. Ao balcão, duas assistentes e um segurança de barbas longas verificam documentos de identificação e a prescrição do médico. Aqui não se vendem aspirinas nem antibióticos; aviam-se receitas com estirpes de marijuana. Para ter acesso à droga, é preciso ser visto por um médico, a dois quarteirões de distância, numa das várias instalações dos Green Doctors. É o quotidiano da marijuana medicinal na Califórnia.

A consulta custa 40 dólares e determinará se os problemas de saúde justificam a utilização de marijuana, ou canábis, para o seu tratamento. Falamos de dores crónicas, enxaquecas, espasmos musculares, glaucoma, insónia, cancro e VIH. A planta canábis tem cerca de 400 químicos, e as estirpes com ampla aplicação médica são as que têm elevado teor de canabidiol e baixa concentração de tetrahidrocanabinol (responsável pelos efeitos psicotrópicos).

É um mercado milionário, que no ano passado valeu 2,8 mil milhões de euros e que está a dar origem a um boom de startups, muitas na área tecnológica; não há nada que atraia mais bolsos em Silicon Valley do que uma indústria nascente. O progresso tem sido lento, mas constante; a legalização da marijuana medicinal já ocorreu em vários países, incluindo EUA (23 estados), Áustria, Holanda, Canadá, Finlândia, Alemanha, República Checa, Uruguai, Israel. Portugal despenalizou há muito, mas as petições para o uso médico não tiveram ainda resultado. Os seus defensores acreditam que é uma questão de tempo.

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