Comércio em crise à espera do fecho da MAC

A crise tem ditado a morte lenta dos estabelecimentos em redor da Maternidade Alfredo da Costa, os comerciantes queixam-se da perda de clientes e de dinheiro e agonizam à espera da machadada final com o encerramento daquela unidade.

"É um horror, é indescritível, estão a desbaratar tudo", desabafa Maria Teresa Verde, proprietária de uma loja que vende roupa para bebés prematuros, quando questionada sobre o futuro encerramento da maior maternidade do país, localizada no centro de Lisboa.

Dos tempos em que faturava 500 euros por dia já só guarda memórias longínquas, porque há muitos anos que o negócio corre mal por causa da crise.

"Chegámos a ser três empregadas, antes de abrirem os centros comerciais. Depois foram-se embora os tribunais e quando a maternidade (MAC) fechar morre o comércio todo", afirmou.

Um bom dia é aquele em que consegue fazer uns 150 euros e, para isso, conta em grande parte com o dinheiro que ganha a fazer arranjos de costura, porque só da venda de roupa para bebé lucra muito pouco.

Aliás, várias lojas de produtos para bebé já encerraram nos últimos tempos, lembra esta comerciante, que assume que com o fecho da MAC só lhe restará ir-se "embora", refugiando-se na reforma, aos 68 anos.

No lugar de uma dessas lojas de puericultura abriu há seis meses uma casa de brinquedos, com a perspetiva de não viver dependente da MAC.

Contudo, Sandra Luís, funcionária deste estabelecimento, admite que a manutenção do negócio é muito ajudada pela proximidade da maternidade.

Esta lojista recorda que todo o comércio tem vindo a ressentir-se da diminuição de serviços da zona e sobretudo os estabelecimentos ligados aos bebés, desde o fim do Hospital Particular.

"Vamos continuar a querer sobreviver, porque os brinquedos que vendemos têm fama, são didáticos e têm clientes fidelizados, que até vêm de propósito de outras zonas", afirma.

O mesmo se passa com um centro de preparação para o parto que, apesar de estar ligado ao negócio da maternidade, recebe mães vindas de outros hospitais e não pensa abandonar esta zona de Lisboa.

No entanto, Isabel Ramos Almeida, responsável do centro, teme perder clientes não só com o encerramento da MAC, mas também "com a conjuntura do país".

"É um escândalo. Este encerramento da MAC é ridículo", contesta esta fisioterapeuta, que trabalhou mais de 20 anos na instituição, à qual continua ligada através dos seus cursos, que integram uma aula no serviço de urgência da maternidade.

Para o dono de uma pastelaria/restaurante da zona "é péssimo" o fim da unidade de saúde, que poderá representar uma quebra de 15 por cento(%) a 20% de clientes, num negócio que tem vindo a decair sucessivamente, fruto da crise e do aumento do IVA.

"Hoje o restaurante trabalha 50% do que trabalhava há 20 anos, já tivemos mais funcionários. Houve tempos em que sabíamos sempre com o que contávamos, depois começámos a fazer contas mês a mês e agora é dia a dia", conta Rogério Neves.

O sócio-gerente da pastelaria recorda que esta era uma "grande zona de serviços" criada depois de terem substituído as habitações por escritórios, que entretanto também começaram a encerrar.

"Saiu a habitação, depois o tribunal e atrás foram os escritórios. Ao fim de semana isto é uma aldeia. Mataram esta zona. O que ainda se mantém é a MAC".

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