Presidente de Albufeira pede declaração de calamidade

Ministro diz que Governo só decidirá depois de fazer levantamento e que ter seguro "é uma lição de vida"

O presidente da câmara de Albufeira, no Algarve, pediu esta segunda-feira que fosse decretado o estado de calamidade pública para o concelho, devido aos "danos elevados" provocados pelas inundações de domingo no concelho, confirmou à Lusa fonte da autarquia.

Segundo a mesma fonte, a decisão do autarca foi tomada por volta das 18:00, após a visita do ministro da Administração Interna, Calvão da Silva, a vários estabelecimentos danificados situados na baixa da cidade algarvia.

O ministro da Administração Interna, por seu lado, disseque o Governo só decidirá se declara o estado de calamidade pública quando estiver feito o levantamento dos estragos causados pela chuva em Albufeira e se estiverem preenchidos os requisitos necessários.

João Calvão da Silva, que falava aos jornalistas durante uma visita à baixa de Albufeira, a zona mais afetada da cidade pelo mau tempo no domingo, disse ainda que a declaração do estado de calamidade pública "não é uma lei que se faz por qualquer coisinha", salientando que, para acionar a lei, é preciso que se verifiquem determinados requisitos.

Calvão da Silva, citado pela TSF, diz que ter seguro, nestes caso, "é uma lição de vida para todos nós". E quem não tem? "Aprendem em primeiro lugar que é bom reservar sempre um bocadinho para no futuro ter seguro". E disse que ter "um pequeno pé de meia, em vez de o gastar a mais aqui ou além, paga um prémio de seguro".

Para o novo ministro, "há muita gente que diz que já acionou os seus seguros porque já estão hoje muito conscientes de que há outros mecanismos para além dos auxílios estatais".

O ministro Calvão da Silva, citado pelo Público, lamentou ainda a morte do homem de 80 anos que desapareceu este domingo, a cuja família disse ter apresentado condolências. "Era um homem que já tinha vindo do estrangeiro, tinha 80 anos, fica a sua mulher Fátima", disse o ministro. "Ele, que era um homem de apelido Viana, entregou-se a Deus e Deus com certeza que lhe reserva um lugar adequado".

Calvão da Silva elogiou a Proteção Civil que "funcionou com os meios adequados" perante uma "força da natureza com uma fúria demoníaca".

De quem é a culpa? Da autarquia e do programa Polis

Em declarações à agência Lusa, Luís Alexandre, presidente da Associação de Comerciantes de Albufeira, disse que as condutas de águas pluviais colocadas na zona da baixa de Albufeira têm um diâmetro inferior ao que seria aconselhável, o que provoca o congestionamento das águas no seu curso natural para a praia, e, consequentemente, inundações.

"As últimas cheias de 2008 devem-se, também, ao facto de, não só o Polis, como a Câmara de Albufeira, terem instalado canos com diâmetros insuficientes, como, ainda por cima, terem construído paredes nas caixas de água para evitar que a água fosse para a praia", referiu, sublinhando que no domingo aconteceu o mesmo, só que "com um volume de água cinco vezes superior".

Existe uma enorme revolta e preocupação por parte dos comerciantes relativamente a obter respostas com alguma brevidade

Segundo aquele responsável, tanto agora como em setembro de 2008, quando se verificaram cheias semelhantes na cidade, "a água bateu nessas paredes, não ia para a praia, mas voltou para trás e levantou as tampas, causando a inundação.

Luís Alexandre pediu à Câmara de Albufeira para que seja célere a transmitir uma mensagem aos comerciantes e também que seja implementado rapidamente um plano para que a cidade possa regressar à normalidade.

"Não vamos exigir que às primeiras horas tudo se resolva, mas tem de haver uma planificação para restituir a cidade ao funcionamento", considerou, acrescentando que é imperioso que Albufeira esteja pronta a receber os turistas na festa de fim de ano.

Segundo o empresário, a maior parte dos comerciantes não tem contratualizados seguros que cubram prejuízos causados por intempéries, tal como ele próprio, proprietário de vários estabelecimentos no concelho.

O presidente da Associação de Comerciantes de Albufeira sublinhou que os prejuízos são "avultadíssimos" e que existe, entre os comerciantes, um sentimento de "revolta" pelo facto de ainda não terem sido ressarcidos das últimas cheias de 2008.

Inundações provocaram "largos milhares" de prejuízos em Albufeira

presidente da Câmara de Albufeira estimou hoje em "largos milhares de euros os prejuízos" causados pelas inundações de domingo, adiantando que, "para já", não irá avançar com o pedido de calamidade pública.

Os danos abrangem redes de esgotos, águas e eletricidades, estradas e ruas, um pouco por todo o concelho, e praias também

O presidente da autarquia indicou ainda que as pessoas que ficaram sem habitação foram realojadas temporariamente, não havendo qualquer situação pendente.

No centro da cidade de Albufeira, a zona mais atingida pelas fortes chuvas e onde a água atingiu cerca de 1,80 metros de altura, as equipas de limpeza e os comerciantes tentavam hoje de manhã remover lamas e objetos arrastados pela corrente.

As lojas do centro estão fechadas e, em algumas delas, trabalhadores e funcionários procedem à limpeza e retirada dos objetos.

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