Comandos partem no final de agosto para a República Centro Africana

Exército confirma que militares acusados no caso da morte de dois recrutas foram excluídos da nova missão devido às normas da ONU.

As normas da ONU sobre certificação das forças de capacetes azuis inviabilizaram o envio, para a República Centro Africana, de seis militares comandos acusados no caso da morte de dois instruendos.

A confirmação foi dada esta sexta-feira pelo Exército, precisando que a força destacada naquele país desde janeiro vai lá ficar "mais cinco semanas do que o prazo inicialmente previsto".

O novo contingente iria partir na próxima semana, mas a necessidade de substituir os seis militares - três oficiais, dois sargentos e uma praça - obrigou a adiar a sua partida e, por consequência, a atrasar o regresso dos 160 efetivos destacados na RCA.

Os substitutos já foram nomeados e têm agora de ser certificados para a missão, o que inclui a sua vacinação, indicou fonte militar.

O Exército anexou ao comunicado desta tarde uma cópia das regras da ONU relativas a militares com processos judiciais pendentes e que diversas fontes consideram limitar-se apenas a situações de abuso sexual que têm manchado as missões e a imagem das Nações Unidas.

Nesse documento, datado de janeiro de 2016, a organização "pede que os governos dos Estados membros certifiquem, por escrito, que nenhum dos militares destacados ou a destacar" para as operações de paz da ONU "tenham estado envolvidos" em casos envolvendo ofensas criminais, "incluindo de natureza sexual".

O pedido abrange também os militares que "tenham sido condenados, ou estejam presentemente sob investigação ou sejam acusados por qualquer ofensa criminal".

O secretariado da ONU solicitou ainda que, a partir de fevereiro de 2016, os Estados membros preenchessem documentos de certificação do registo criminal dos militares nomeados e os devolvessem, ao Departamento de Operações de Paz das Nações Unidas, "até 30 dias antes do destacamento ou rotação de cada unidade".

Os militares em causa integram um grupo de 19 comandos a quem o Ministério Público responsabiliza pela morte de dois instruendos do curso de Comandos iniciado em setembro de 2016.

Este caso levou o Exército a rever os parâmetros do curso e a substituir todos os instrutores do curso seguinte, iniciado em abril deste ano com 67 recrutas e que termina sábado com apenas 13 instruendos.

Estes futuros comandos iriam receber a boina e o crachá na próxima semana, durante a cerimónia de entrega do estandarte nacional ao segundo contingente nomeado para a República Centro Africana - que agora foi adiada e, por arrastamento, atrasou a entrega dos símbolos da especialidade aos 13 finalistas do curso.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG