"Com gosto, as coisas são fáceis"

O DN falou com o professor do mês de outubro, o primeiro a ser distinguido na iniciativa Professor do Ano. Juan Nolasco, de 36 anos, já está apurado para a final, quando terminar o ano letivo. Professor de Informática em Santa Maria, Açores, começou como engenheiro, destacou-se por envolver os alunos na construção de satélites e robôs

Qual foi a sua reação por ter sido o primeiro distinguido como o professor do mês?

Para mim é uma honra, até pela qualidade do júri que avaliou as candidaturas. Fiquei bastante satisfeito, principalmente pelos meus alunos, não só os que enviaram a minha candidatura mas também todos os outros. É o reconhecimento do meu trabalho e de toda a escola.

Sente que as suas aulas são diferentes por integrar os seus alunos em vários projetos tecnológicos?

Tento que sejam diferentes. Talvez por a minha formação de base ser em Engenharia - que depois complementei com uma licenciatura em ramo pedagógico -, que é uma área em que temos de ter uma grande complementaridade, e será daí que torno as minhas aulas multidisciplinares.

Para marcar a diferença, os professores têm de pensar cada vez mais fora das paredes da sala de aula?

Hoje, mais do que nunca, é preciso pensar para fora da sala de aula. Há alguns projetos que faço que fazem parte das aulas, mas a grande maioria são atividades extracurriculares, e os alunos mostram-se muito disponíveis. Por exemplo, num dos projetos - o CanSat -, os alunos prescindiram das férias da Páscoa e vinham para a escola das oito da manhã até ao fim do dia. No final viram o seu trabalho recompensado, já que alcançaram o terceiro lugar no campeonato europeu de minissatélites.

A sua formação de base é Engenharia. Como é que acabou no ensino?

Sou professor há seis anos e a minha formação de base é Engenharia Eletrotécnica, e foi nisso que trabalhei durante cinco anos numa multinacional, mas depois acabei por decidir ir para o ensino. Foi uma questão de realização profissional.

Tendo em conta o desemprego entre os docentes, não acha que foi uma decisão de risco?

Sim, é preciso coragem para seguir o ensino. Mas também é preciso insistir, e quando se tem gosto as coisas são mais fáceis.

Considera que parte do seu sucesso se deve ao gosto de ser professor?

O facto de estarmos a fazer o trabalho que gostamos ajuda, e poder transmitir conhecimentos é um privilégio. É bom vê-los atingir certos níveis sozinhos graças aos projetos da área da tecnologia que temos feito.

Recorda algum professor dos seus tempos de aluno?

Sim, a minha professora da primária, em Fermentelos (próximo de Águeda). Recordo a disciplina, mas também a compreensão. Foi alguém que me ajudou a crescer. Antes dela tive outra professora na Venezuela, onde nasci, mas só fiz lá o primeiro ano e não me lembro de como era a escola.

Quais as diferenças entre os docentes de então e os de hoje?

Hoje existe uma maior proximidade entre professores e alunos, o que não é necessariamente mau.

É de Portugal continental. Como é que foi parar a uma escola dos Açores?

O concurso de professores colocou-me nesta escola aqui nos Açores, há três anos, mas a minha família continua no Continente. Quando houver concurso para os professores do quadro, vou ter de decidir se volto para lá ou se a minha mulher vem para cá. Mas a escola aqui é muito organizada e tudo funciona bem. A grande diferença é que nos Açores estamos sempre a encontrar as mesmas pessoas dentro e fora da escola, porque é tudo mais pequeno.

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