Coligação PSD-CDS. Votos de casamento renovados na oposição

Formalmente já não existe PAF, mas a verdade é que PSD e CDS, agora nas bancadas, estão mais unidos do que nunca no combate ao governo PS

Muito combativa, sem tréguas e marcação cerrada. São algumas das expressões utilizadas por dirigentes do PSD e do CDS para caracterizar aquela que será a atitude dos seus partidos, agora, na bancada da oposição. Esse é, pelo menos nesta fase, o estado de espírito no arranque de uma legislatura em que o "muro" que António Costa diz ter derrubado à sua esquerda está agora bem ao centro. Por isso mesmo, o "casamento" de conveniência para as legislativas de 4 de outubro vai renovar agora os votos para o novo papel na oposição.

Quer Pedro Passos Coelho quer Paulo Portas já passaram o atestado de "politicamente ilegítimo" ao governo de António Costa. Por isso, como avisou o presidente do PSD, na entrevista desta semana à RTP, o "PS não tem legitimidade para nos pedir seja o que for".

Na mesma linha, Paulo Portas avisou num jantar evocativo dos 40 anos do 25 de Novembro, na terça-feira, no Porto, que "a indigitação de António Costa pode ser formalmente constitucional. Para nós, CDS, será sempre politicamente ilegítima e extrairemos sempre daí as consequências pertinentes."

A sintonia de posições é um sinal para a vontade de manter a coesão da coligação como eixo determinante para a estratégia na oposição, com Passos e Portas, que regressam ao Parlamento, no papel principal. Uma decisão que terá apoio das bases partidárias.

"Tudo o que está a ser preparado será em conjunto. A campanha foi um balão de ensaio para esta coligação e contagiou distritais e concelhias. Costa acabou por unir mais Passos Coelho e Paulo Portas e esta união agradou aos portugueses", garantiu ao DN fonte da direção do PSD. Além disso, sublinha ainda que a oposição ao PS "vai ser uma luta sem tréguas, muito combativa. Temos noção de que se não estivermos unidos não venceremos a esquerda, e é essa a imagem que se quer passar até chegar, esperamos que muito em breve, o momento das eleições antecipadas".

Está também claro que os principais temas do combate político será a gestão das despesas do governo PS. "Vamos ter uma atitude muito combativa nesta área das finanças, com Maria Luís Albuquerque, do PSD, e Cecília Meireles, do CDS, a fazer todas as contas e a cobrar qualquer deslize", afirma um deputado da coligação que faz parte da direção partidária do PSD.

O que os pode separar

Na verdade, hoje é muito mais o que une PSD e CDS do que o que os separa. Mesmo em 2011 - quando formaram o governo -, as divergências entre PSD e CDS eram muito maiores. A nível do programa discordavam de questões como a redução de efetivos na função pública, na privatização da CGD e da RTP, na redução do número de deputados, no TGV e na polémica TSU.

A redução da taxa social única para empregadores compensada pelo aumento para trabalhadores (em setembro de 2012) abriu uma crise no governo, só superada (em gravidade) pela crise do "irrevogável", em que Portas pediu a demissão por exigir um novo ciclo a nível da política orçamental.

Mas desde aí PSD e CDS afinaram. Houve arrufos partidários ao jeito de "o erro foi do ministro do partido X" ou do secretário de Estado do partido Y". Mas tudo foi sanado. A última pequena guerra entre os dois partidos foi mesmo quando da saída da biografia de Pedro Passos Coelho, em que este conta que Portas se tinha demitido por sms. Logo vieram centristas desmentir o líder do PSD, dizendo que foi por carta.

A coligação já estava feita e PSD e CDS estavam condenados a dar-se bem. A relação entre Passos e Portas, sempre com alguma desconfiança pelo meio, melhorou durante a campanha eleitoral. Tornaram-se verdadeiros compagnons de route, embora cada um com as suas idiossincrasias.

Primeiro no programa eleitoral e, depois, no programa de governo, os partidos moldaram-se um ao outro. Embora não estejam no governo, têm hoje os mesmos objetivos. Defendem o mesmo programa para a legislatura, logo o processo legislativo no Parlamento será muito parecido. Serão o apoio um do outro. E com a estratégia de pedir eleições antecipadas, quanto mais juntos ficarem mais reforçam a posição.

Mesmo olhando a matérias como a descida do IVA na restauração - que o CDS chegou a defender em 2009 -, não há o risco de centristas votarem ao lado do PS e contra o PSD, uma vez que há muito que Portas deixou de o defender. Para já perspetivam-se poucas divergências, mas a realidade é dinâmica. Na política ainda mais.

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