Cinco vezes a entrar e a sair de crises

Desde o 25 de Abril de 1974, já passámos por cinco recessões. Todas elas com as suas características próprias, todas elas resultando de causas e decisões internas, mas operando num enquadramento económico cada vez mais aberto, ou seja, mais exposto às grandes variações da conjuntura económica europeia e internacional.

Em 1977/78 deu-se o primeiro programa de estabilização das contas nacionais e públicas por parte do FMI e, com ele, o recuo do produto interno. Ele tornou-se necessário pelos excessos pós-revolucionários, que desalinharam os custos de produção (em especial, os salários), da produtividade e a competitividade das exportações, ao mesmo tempo que o País tinha de absorver o regresso de centenas de milhares de cidadãos fugidos de Angola e Moçambique.

A desvalorização do escudo e a escassa conflitualidade social fizeram com que se atingissem os objectivos com notável rapidez. Só que, passados escassos cinco anos, foi preciso chamar de novo o FMI para novo aperto. Entre 1980 e 1982, duplicou a dívida pública. Quando o Governo Mário Soares/ Mota Pinto entra em funções (1983), havia divisas para pagar uma escassa semana de importações. Este segundo aperto foi o mais gravoso socialmente: despedimentos, bandeiras negras da fome em Setúbal, poupança forçada de meio 13.º mês.

Seguiu-se a recessão de 1993, na onda do abrandamento geral causado pelo segundo choque petrolífero. A desvalorização do escudo foi arma para repor a competitividade perdida. Mas esse recurso estava-nos vedado em 2002/2003, quando o País voltou a estar de "tanga", e na grande crise 2008/2009, cujas sequelas a nível da correcção do défice e da dívida pública temos agora de pagar com mais sacrifícios.

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