Chefias das urgências do Garcia de Orta demitem-se

Médicos avisam que "risco do ato clínico no serviço de urgência atingiu um ponto crítico e inaceitável".

Os responsáveis pelo serviço de urgência do Hospital Garcia de Orta, em Almada, demitiram-se em bloco. A notícia foi avançada na edição online do semanário Sol, que teve acesso à carta que os sete de elementos da chefia daquela serviço enviaram ao conselho de administração do hospital, e, entretanto, confirmada à Lusa por uma fonte da administração, que garantiu que estão a ser tomadas medidas para ultrapassar a situação.

De acordo com aquele jornal, os médicos alegam o "agravamento das condições de trabalho" e dizem ainda que "o risco do ato clínico no serviço de urgência e a segurança dos doentes atingiu um ponto crítico e inaceitável".

Na missiva, os chefes do serviço de urgência dão ainda conta de que já a 4 de dezembro tinham alertado a administração do hospital para deterioração do serviço e vincam que a demissão coletiva prende-se igualmente com o facto de não terem sido ouvidos nas alterações à organização do serviço de urgência.

Essas medidas, reforçam, "não só não resolveram os problemas citados como ainda criaram constrangimentos adicionais, quer do ponto de vista clínico, quer no aspeto de relacionamento interpares, quer do ponto de vista da capacidade de organização e gestão da equipa de urgência".

Segundo a administração do hospital, já estão a ser tomadas medidas para "fazer face ao aumento nos internamentos" e "outras medidas concretas" serão anunciadas esta terça-feira.

Duas das oito mortes registadas nos últimos dias nos serviços de urgências dos hospitais de todo o país aconteceram no Garcia de Orta.

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