CGTP: "Saída mais adequada é empossar governo do PS"

Arménio Carlos, após reunião com Cavaco, define quatro pontos sobre os quais "qualquer governo vai ter de responder"

Arménio Carlos afirmou ao início da tarde desta sexta-feira que a CGTP não está de acordo "com qualquer solução que passe pela continuação" do atual governo PSD-CDS, "seja em gestão, seja através de um governo de iniciativa presidencial". Para o secretário-geral Intersindical, que falava após uma audiência com o Presidente da República, no Palácio de Belém, "a saída mais adequada é empossar o governo do PS".

"Não estamos de acordo com qualquer solução que passe pela continuação deste governo, mesmo que seja num quadro de governo gestão ou de iniciativa presidencial porque isso iria manter a instabilidade e criar condições para solução transitória que não traria benefícios ao país", fundamentou.

O líder sindical frisou que Cavaco Silva "não se pronunciou sobre aquilo que pensa fazer ou aquilo que está na origem do que vier a fazer", explicando que o Chefe do Estado se limitou a "ouvir e fazer propostas" sobre o que pensa a CGTP a propósito do impasse político em que o país está mergulhado.

Com a possibilidade de Cavaco aceitar um governo liderado por António Costa - e com apoio de BE, PCP e PEV - no horizonte, Arménio Carlos não se coibiu, contudo, de traçar as linhas vermelhas para a central sindical. E sublinhou, sobre essas bandeiras, que "qualquer governo vai ter de responder sobre elas", isto é, sinalizou que não passa cheques em branco a ninguém. Nem à esquerda.

Arménio apontou então a necessidade de revisão da lei da contratação coletiva - em particular a questão da caducidade e a introdução do princípio do tratamento mais favorável -, a adoção de um novo modelo de desenvolvimento (sem salários baixos e precariedade), a alteração da legislação laboral (contesta a flexibilização dos despedimentos e a redução das indemnizações) e ainda o aumento geral dos salários, sobretudo do salário mínimo - ponto em que diverge do acordo celebrado pelas forças de esquerda.

Sobre a proposta de revisão da Constituição feita na véspera pelo primeiro-ministro, o líder da CGTP reagiu dizendo que traduz o "desespero" de Pedro Passos Coelho e rematou com a ideia de que a intenção de PSD e CDS é "repetir eleições" até que obtenham uma maioria absoluta e se "perpetuem no poder".

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