CGTP responsabiliza governos das últimas décadas

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, considerou hoje que as comemorações do 1.º de Maio excederam as expetativas depois de ter responsabilizado os Governos portugueses das últimas décadas pela atual situação económica do país e

Arménio Carlos, aa intervenção que fez no final da manifestação do Dia do Trabalhador, falou no elevado nível de desemprego, nos cortes de salários e subsídio de férias e de Natal do setor público, no congelamento e redução de pensões, na redução do subsídio de desemprego e de outras prestações sociais.

"Esta é uma política que tem responsáveis, são os que governaram o país durante as últimas décadas", disse perante milhares de pessoas que ocuparam o relvado da Alameda Afonso Henriques, em Lisboa.

"Eles são os que assinaram o chamado Memorando de entendimento com o FMI-BCE-UE, que promove as injustiças e as desigualdades, que generaliza o empobrecimento da população, aumenta a exclusão social e põe em causa a democracia e a soberania nacional", acrescentou.

O sindicalista acusou os governantes portugueses de serem "os coveiros do país" e defendeu a necessidade de se lutar todos os dias por mudanças políticas e pelos direitos conquistados após a revolução de abril de 1974.

"É hora de os portugueses se unirem na exigência de uma mudança de política e de uma política alternativa", defendeu Arménio Carlos, que considerou que as comemorações do 1.º de Maio excederam as expetativas em termos de participação e mostraram a disponibilidade dos trabalhadores para lutarem pelos seus direitos, muitos deles conquistados após abril de 1974.

"Este é um 1.º de Maio que excedeu as expetativas e mostrou a força de vontade e determinação dos trabalhadores para comemorarem Abril em Maio e lutarem por Abril. Foi o que tivemos em Lisboa, mas não só. Sentimos o mesmo em todo o país", disse o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos à agência Lusa no final da manifestação do Dia do Trabalhador.

"Foi um 1.º de Maio com muita força e determinação mas também com uma série de propostas suscetíveis de dar um novo rumo ao nosso país", disse ainda, depois de falar aos milhares de pessoas presentes no local.

A CGTP promoveu iniciativas para comemorar o Dia do Trabalhador em mais de 40 localidades. Em Lisboa realizou-se o tradicional desfile até à Alameda Afonso Henriques.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...