CGTP no Porto: críticas às alterações à lei laboral

Nem a chuva impediu milhares de pessoas de participarem hoje na manifestação do 1.º de Maio da CGTP, no Porto, onde foram feitas duras críticas às políticas do Governo e se reivindicou que "os trabalhadores não são peças descartáveis".

A Avenida dos Aliados e algumas ruas centrais do Porto foram hoje o local escolhido pelos manifestantes para a marcha do 1.º de Maio, tendo juntado milhares de pessoas, muitas delas envergando bandeiras vermelhas da CGTP.

Sob frases como "o custo de vida aumenta e o povo não aguenta" e "os salários a baixar e os lucros a aumentar" os manifestantes fizeram ouvir a sua voz contra as políticas governamentais, os cortes de salários e as alterações à lei laboral.

Cerca das 15:30, do palco montado na placa central da Avenida dos Aliados, foi feito o discurso da comemoração do 1.º de Maio, tendo este estado a cargo do coordenador da União de Sindicatos do Porto (USP), João Torres, que disse que esta "é uma luta que vai continuar contra a política do PSD".

"Os culpados são os governantes. (...) Eles são os coveiros do país e temos que correr com eles o mais rápido possível", criticou.

Segundo João Torres, "este Governo não tem legitimidade para rasgar os compromissos com o povo português".

"Alguém lhes deu o voto para viver pior, que é aquilo que acontece com 90 por cento dos portugueses", questionou, afirmando que "enganaram mais uma vez os portugueses".

Criticando o facto do tratado orçamental ter sido "assinado à revelia do nosso povo", o líder sindical disse que este só "ajuda a estrangular ainda mais o país" e que "austeridade em cima de austeridade não é solução" mas sim "um agravamento das condições de vida dos portugueses".

"Os trabalhadores não são peças descartáveis", enfatizou, num discurso muito marcado pela oposição às alterações à lei laboral.

Sem citar o nome da UGT, João Torres deixou ainda críticas implícitas à estrutura sindical que está "sempre com os patrões e com os sucessivos governos".

O coordenador da União de Sindicatos do Porto disse ainda há quem queira "há muito partir a espinha à CGTP", deixando um recado para essas pessoas: "nós não partimos, nem sequer dobramos".

A chuva, que aguentou quase até ao final do discurso, caiu de forma intensa durante alguns minutos, tendo feito as pessoas procurado abrigo nas laterais da Avenida dos Aliados.

A marcha pelas ruas centrais do Porto prosseguiu depois do fim do discurso.

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