CGD, saúde e incêndios marcam a agenda da esquerda

Os líderes da "geringonça" já estão em força na estrada. Jerónimo e Catarina não apoiam Costa na mudança de lei para a CGD

Em registo de rentrée, António Costa, Jerónimo de Sousa e Catarina Martins tiveram um sábado com uma agenda bem preenchida, com intervenções que dão os primeiros sinais da temperatura que pode atingir a "geringonça" nos tempos mais próximos. A ferver estará a gestão política da Caixa Geral de Depósitos (CGD) com PCP e BE a deixarem claro que o governo não deve contar com eles para alterações legislativas que permitam acumulação de cargos.

Jerónimo destacou também a questão dos incêndios, exigindo que o governo tome medidas "excecionais" para apoiar as vítimas dos incêndios e defendeu o retorno dos guardas-florestais. O dirigente comunista sublinhou que foi um "erro" acabar com a Guarda Florestal (integrada na GNR em 2006 por António Costa quando ocupava o cargo de ministro da Administração Interna), defendendo que "deveria ser retomada essa especialidade no plano da prevenção".

Mais tarde, em Pedrógão Grande, Costa acabou por responder a Jerónimo defendendo o "sistema robusto de combate a incêndios" que o país possui. Admitiu, porém, que apesar da "grande reforma" da proteção civil que se fez, esta "visava comprar tempo para fazer a reforma da floresta", focada na prevenção, que não aconteceu ainda.

António Costa escolheu o tema da saúde para arrancar o dia, na inauguração da unidade de cuidados continuados integrados de Melgaço. Esta estrutura estava pronta desde 2012 e Costa tinha prometido, durante uma visita na campanha eleitoral, em setembro passado, que se fosse eleito a abriria ao público. Para o primeiro-ministro, a melhor forma de homenagear o SNS "não é simplesmente defendendo-o, é também desenvolvê-lo e desenvolvê-lo significa apostar nestas duas dimensões: a montante, cuidados primários, unidades de saúde familiar e médicos de família; e, a jusante, cuidados continuados para que todos possam viver com doenças crónicas ou envelhecer com maior dignidade". O chefe do executivo lembrou os 300 novos médicos de família que o governo pretende admitir até outubro e realçou o objetivo de duplicar o número de camas de cuidados continuados a nível nacional até ao final da legislatura. Desta forma, o ter mais cuidados continuados "tem uma tradução efetiva do ponto de vista da eficiência das finanças públicas", uma vez que "uma cama de hospital custa em média 200 euros por dia e uma cama numa unidade de cuidados continuados - consoante a sua natureza - custará entre 60 e 100 euros por dia".

Jerónimo de Sousa tinha começado a sua "pré-rentrée" ainda na sexta-feira à noite, em Condeixa--a-Nova (Coimbra) com declarações mornas, elogiando até as contribuições e os avanços nos direitos dos trabalhadores, dados pelo governo, embora ainda insuficientes. Mas a seguir veio a CGD, tema que voltaria a estar na sua mira no sábado, e a temperatura subiu. O PCP não vai acompanhar o PS numa eventual alteração à lei, porque, vincou o secretário-geral dos comunistas, "isso não resolve". Do seu ponto de vista, "o problema está na união bancária" e "quem votou a favor, designadamente PS, PSD e CDS, tem de responder como foi possível aderir a um processo que levou a esta alienação".

Em causa, recorde-se, está a composição do conselho de administração da CGD, tendo o Banco Central Europeu aprovado 11 nomes propostos pelo governo, mas rejeitado outros oito por excederem o limite de cargos em órgãos sociais de outras sociedades. O governo deu a entender que pretendia mudar a lei, mas para Jerónimo "qualquer remendo em relação à adaptação das regras e normas não resulta".

A líder bloquista também alinhou pelo mesmo princípio. Questionada pelos jornalistas ao final da tarde, em Lagoa, Catarina Martins sublinhou que também está contra qualquer alteração legislativa. "Mudar de lei para servir alguns nomes em cima da hora não é algo que se deve fazer", destacou Catarina Martins, acrescentando que tais alterações "não correspondem às atuais exigências políticas".

A líder do BE considerou ainda que a CGD "não deve ser notícia" por causa do seu conselho de administração e afirmou que o governo e o Banco Central Europeu têm "culpas repartidas" na gestão deste processo.

A rematar a intervenção, Catarina explicou ainda porque o BE não foi ao congresso do MPLA, onde estiveram o PS, o PSD e o CDS: "O BE não pactua com ditaduras e é muito triste que quase todos os partidos portugueses tenham ido prestar vassalagem ao MPLA." Com LUSA

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