Cerca de 350 mil visitantes em Torres Vedras, apesar do frio e da chuva

Nem o fim da tolerância de ponto, o frio ou a chuva afastaram os visitantes do carnaval de Torres Vedras, que registou hoje entre 50 a 70 mil pessoas a juntar-se às 280 mil dos últimos dias.

"É um balanço muito, muito positivo. Só no sábado é que tivemos um dia magnífico. De resto, domingo e segunda foram muito maus, com chuva constante mas, mesmo assim, tivemos uma adesão totalmente inesperada", afirmou à agência Lusa o presidente da Câmara, Carlos Miguel.

Números provisórios da organização apontam para 350 mil visitantes nos dias em que o corso saiu às ruas da cidade de Torres Vedras para verem José Sócrates, ex-primeiro ministro, e Miguel Relvas, ministro dos Assuntos Parlamentares entrarem burros na máquina da reciclagem e saírem doutores, de canudo na mão ou um 'Zé Povinho' desmoralizado, joguete de uma roleta russa de primeiros-ministros, que dele abusam.

De acordo com a organização, o corso de hoje deverá ter sido visitado por 50 a 70 mil pessoas, que não desviaram os olhares dos carros alegóricos, como imponentes dragão da chanceler alemã Angela Merkel, meia desnudada, a comandar a Europa ou do monstro dos mercados que devora Zés Povinhos sob o olhar de vários políticos, entre eles o das Finanças.

Apesar do tempo pouco convidativo, a aposta de manter o corso de carnaval de hoje e de conceder tolerância de ponto aos funcionários da câmara, à semelhança do que aconteceu com maiores empresas do concelho, "foi ganha".

"Iremos ter menos receita, mas continuamos a ter a mesma moldura humana, porque o facto de termos dois mil mascarados em grupos é garantia absoluta de que teremos um corso totalmente preenchido. Com as receitas dos carnavais noturnos, a receita fica equilibrada como no ano passado", adiantou o autarca.

A organização voltou a tirar partido do facto de não haver tolerância de ponto no país para a promoção do evento.

Com organismos da administração públicas abertos dentro do recinto do corso, como o Centro de Emprego, a estratégia foi não esquecer a crise e abrir as portas a todos os desempregados do país.

A medida não podia ter tido melhor adesão, como constatou a agência Lusa junto à bilheteira por onde entraram os desempregados, entre os quais Lara Silva, para quem a medida "veio a calhar, caso contrário não viria ao corso".

O mesmo defendeu Mafalda Santos que, por estar desempregada, estava com dificuldades económicas para conseguir pagar bilhete e trazer os quatro filhos ao desfile.

A acompanhar a crise, o orçamento do carnaval teve este ano um corte de 17%, passando para os 350 mil euros e obrigando a organização a adotar o tema da reciclagem, que se traduziu no reaproveitamento de carros alegóricos e de bonecos de anos anteriores, como o de Mário Soares, com 20 anos.

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