Centros de saúde aliviam hospitais em pediatria ou psicologia

Ministério da Saúde vai reforçar consultas de especialidades e reduzir taxas nos cuidados primários. Médicos aplaudem medidas

O Ministério da Saúde quer reforçar os centros de saúde com mais consultas de especialidades como a pediatria. A aposta nestas consultas foi ontem anunciada pelo secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, que explicou ao DN alguns dos objetivos. "Vamos avançar com consultas de pediatria, psicologia ou nutrição", refere, por se tratar de cuidados que podem ser prestados em locais próximos da população e fora dos hospitais.

Na sessão de encerramento do think tank Inovar em Saúde, Manuel Delgado reconheceu a necessidade de "os centros de saúde se apetrecharem com mais competências, como especialidades e meios complementares de diagnóstico e terapêutica". Medidas que o anterior governo chegou a anunciar, com poucos progressos.

As consultas a realizar, segundo o Ministério da Saúde, serão em áreas próximas da medicina geral e familiar, esperando-se que os cuidados sejam feitos em articulação com os médicos de família. "Pensamos que podemos retirar muitas consultas dos hospitais e passar a realizá-las em centros de saúde." Apesar de ainda não haver uma data prevista, a experiência deverá ter início numa região do país, para depois ser generalizada.

Manuel Delgado adianta que uma das áreas que poderão ser mais exploradas é a da saúde oral. "Não vamos alterar o modelo do cheque-dentista, mas vamos fazer mais consultas a outros grupos da população, como os adultos, através de um protocolo com a Ordem dos Médicos Dentistas."

A ideia do reforço das especialidades nos cuidados primários é defendida há muito pelos efeitos positivos para a população e para o sistema de saúde. Irá evitar deslocações desnecessárias aos hospitais, mais dispendiosas e com tempos de espera maiores, e "já tem o acordo da Ordem dos Médicos (OM)", acrescenta Manuel Delgado, o que será importante "para reforçar ainda mais a sua aplicação".

Clínicos de hospitais na consulta

O bastonário da OM, José Manuel Silva, saúda a aposta. "Já tivemos uma reunião com o ministério e transmitimos que é uma mais-valia aumentar estas consultas em parceria com os médicos de família". A experiência não é nova, existindo alguns profissionais nos agrupamentos de centros de saúde (Aces), mas o número de consultas tem vindo a cair nos últimos anos.

"A ideia é haver médicos de hospitais a deslocar-se aos centros de saúde pelo menos uma vez por semana, embora a deslocação deva ser remunerada." O atendimento especializado será pedido pelo médico de família, que acompanha o utente em conjunto. "É importante que se aproveitem os recursos do SNS, poupando custos e beneficiando os doentes".

Segundo a Direção-Geral da Saúde, em 2011 e 2012 o número de especialistas (não médicos de família) caiu. Por exemplo, há 15 pediatras (menos seis), dois dermatologistas (eram 11) e não há oftalmologistas, quando havia 13. O número de consultas caiu também. Foram realizadas 5614 consultas de oftalmologia, quando em 2011 tinham sido 42 155 .

Menos taxas no centro de saúde

O secretário de Estado da Saúde anunciou que se pretende aumentar "o acesso equitativo dos utentes aos serviços de saúde", nomeadamente reduzindo as taxas moderadoras. Para reduzir as idas às urgências "as taxas nos centros de saúde vão ser bastante reduzidas, mas não serão eliminadas". Para a reforma do SNS foram nomeados três coordenadores para as áreas dos cuidados de saúde primários, hospitalares e continuados.

Quanto ao envolvimento dos cidadãos defendido pelo think tank, referiu ser uma matéria importante mas que "o governo não a assume como uma prioridade". No encontro sobre oncologia, o historiador Pacheco Pereira disse que "não há nenhuma defesa para o cancro, doença da sociedade moderna". "A melhoria da qualidade de vida é o mais importante fator para a construção da felicidade."

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