Situação do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova é "calamitosa"

O presidente da Confraria da Rainha Santa Isabel (CRSI), António Ribeiro Rebelo, manifestou-se hoje "muito preocupado com o estado calamitoso" do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, em Coimbra, cuja cobertura de duas alas dos claustros superiores ameaça ruir.

"A situação é calamitosa" e, "se continuar a chover com tanta intensidade como nas últimas semanas" ou se ocorrer um sismo, "por mais ínfimo que seja", António Rebelo teme que a galeria superior dos claustros do monumento, "pelo menos na ala norte e na ala poente, possa ficar irremediavelmente afetada" ou "mesmo ruir".

Os técnicos envolvidos em trabalhos de recuperação e salvaguarda do mosteiro estão "também muito preocupados e a fazer uma avaliação séria da situação", acrescentou aquele responsável à agência Lusa.

A degradação e ameaça de desmoronamento daquelas duas alas dos claustros tornou-se evidente no sábado, quando, no âmbito de trabalhos que ali estão a ser desenvolvidos, foram detetadas "fendas estruturais, que percorrem vários tramos a nível do veio central da abóbada".

O problema, resultante, na perspetiva do presidente da CRSI, das "chuvas das últimas semanas", foi tornado público na terça-feira, durante uma visita ao convento do presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), Norberto Pires, e da vice-presidente da Câmara de Coimbra, Maria José Azevedo Santos. Após a visita, o presidente da CCDRC disse à Lusa que o monumento "revela iminente colapso" e que basta "um pequeno abalo ou um inverno mais complicado" para pôr em causa a estrutura do edifício.

Na quarta-feira, a diretora Regional de Cultura do Centro (DRCC), Celeste Amaro, sustentou, também em declarações à agência Lusa, que o monumento "não está em iminência de colapso".

Os técnicos "foram lá fazer o levantamento e [constataram que] não está em iminência de colapso", afirmou Celeste Amaro, considerando que o edifício "precisa, isso sim, de ser recuperado, como temos milhares de monumentos pelo país que precisam de ser recuperados". Os técnicos da DRCC inspecionaram o Mosteiro no final de 2011, reagiu o presidente da Confraria, salientando que a degradação do edifício se acentuou com as últimas chuvas.

"Perante a urgência e gravidade da situação", a CRSI já fez "diversos apelos a instâncias superiores" e António Ribeiro Rebelo já escreveu, a este propósito, ao secretário de Estado da Cultura.

A Confraria está, entretanto, a elaborar "um projeto integrado, abrangendo áreas como as cultural, científica, museológica e turística", para candidatar a apoios comunitários, adiantou.

Impõe-se, entretanto, "continuar uma série de intervenções, para resolver um conjunto de problemas", sobretudo a nível das infiltrações de águas, particularmente das coberturas, sob pena de se agravarem as condições que, segundo António Rebelo, podem provocar desmoronamentos.

Essas obras exigem "cerca de um milhão de euros", calcula o responsável, salientando que a instituição (que vive quase exclusivamente de doações de devotos da Rainha Santa) "não tem capacidade económica para isso" (em 2011, "a Confraria teve um saldo negativo de 34 mil euros").

Fundada há 452 anos, "destinada a promover a glória de Deus e a honrar a Santa Rainha", a CRSI recebeu o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova em 1891, quando dele saiu a sua última religiosa. Em 1911 grande parte do monumento foi entregue ao Exército Português, que o devolveu à Confraria em 2006. Construído no século XVII, para receber as religiosas do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, entretanto invadido pelas águas do Mondego, o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, foi classificado como monumento nacional em junho de 1910.

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