Neurologista quer maior aposta na prevenção de AVC

O diretor do Serviço de Neurologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) defendeu hoje um maior investimento na prevenção dos Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC), o que, "a prazo", trará grandes ganhos económicos e humanos.

Em declarações à agência Lusa a propósito do Dia Mundial do AVC, que hoje se evoca, Luís Cunha aconselhou a um maior investimento do Serviço Nacional de Saúde (SNS) na profilaxia e prevenção do AVC.

Este responsável lembrou que em Portugal morrem anualmente cerca de 200 cidadãos por cada 100 mil habitantes e, por cada um que morre, quatro ficam com incapacidades, alguns deles como graus de dependência elevada, implicando grandes custos para a sociedade.

"É superior três vezes a países onde se faz uma prevenção mais agressiva", disse Luís Cunha, frisando que a "grande mortalidade em Portugal é apenas uma pequena parte da dimensão do problema".

Segundo diretor do diretor do Serviço de Neurologia do CHUC, "o doente com AVC custa enormemente à sociedade. A prevenção poderá ficar pontualmente mais cara, mas compensará a longo prazo. São enormes despesas que se vão diminuir no custo total do SNS, além dos aspetos médicos e humanos".

Na sua perspetiva, com outra atenção à prevenção é possível atingir níveis anuais dos 50 mortos por 100 mil habitantes.

Luís Cunha salientou que com o envelhecimento progressivo da população tem vindo a ganhar expressão um novo fator de risco, que classifica de "epidemia silenciosa, que é fibrilhação auricular", uma arritmia ligeira, que pode não dar muitos sintomas.

Até aos 50 anos, o número de casos é inferior a um por cento, mas na população acima dos 80 anos é de 15 a 20 por cento.

Como o coração bate irregularmente, há uma parte do sangue que coagula no seu interior, e depois se desprende "em êmbolos" na corrente sanguínea, provocando os acidentes vasculares mais graves.

A "fibrilhação auricular" é também cada vez mais uma causa de AVC.

No entanto, realça que essa arritmia é detetada num simples eletrocardiograma e, medicada, pode o risco ser reduzido "praticamente a zero".

Reportando-se aos doentes entrados em 2011 na unidade com AVC por "fibrilhação auricular", referiu que "oito em cada dez já sabiam que tinham essa arritmia", mas desses só três é que eram medicados e apenas um fazia a medicação corretamente.

"Há um grande campo para melhorarmos nestes doentes. É uma luta que deve ser assumida por todos, pelos médicos e a população em geral", concluiu.

Para participar nessa luta, os Serviços de Neurologia, Cardiologia, Medicina Interna e Medicina Física e Reabilitação do CHUC juntaram-se para realizar hoje e terça-feira um rastreio dos fatores de risco, dirigido a toda a população.

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