Ladrão quer trabalhar para ourives que agrediu em assalto

Arguido surpreendeu o tribunal com o pedido, pedindo um oportunidade para retomar a sua vida. "Queria pedir desculpa ao senhor da ouriversaria. De alguma forma, até posso trabalhar para o senhor Dias", disse.

Um arguido acusado por envolvimento em roubos violentos na zona de Aveiro comprometeu-se esta quarta-feira a compensar um ourives da Pampilhosa, concelho da Mealhada, que agrediu com gravidade à coronhada, durante um assalto, em janeiro de 2011, oferecendo-se para lhe prestar trabalho gratuito.

Alexandre A. surpreendeu o tribunal com a inusitada proposta quando lhe foi dada a derradeira oportunidade de falar, após a leitura das alegações finais do julgamento que decorreu em escassas semanas já que todos os arguidos confessaram os atos. "Antes de pedir desculpa ao tribunal, queria pedir desculpa ao senhor da ouriversaria. De alguma forma, até posso trabalhar para o senhor Dias", declarou o acusado, clamando por uma "oportunidade" para retomar a sua vida já que "há cinco anos" que não tinha problemas com a justiça.

O arguido, com passado criminal, que o levou inclusivamente a cumprir tempo de cadeia, tinha ouvido pouco antes o Procurador do Ministério Público (MP) a propor uma pena não inferior a sete anos de prisão efetiva pelo assalto à mão armada e roubo de um BMW. A advogada mostrou-se "chocada", considerando a pena "demasiado pesada" só porque o cliente já passara por estabelecimento prisional. "Não teve liderança nos assaltos, foi um acidente de percurso", alegou.

Ao todo, responderam na barra do tribunal de Aveiro seis arguidos, cinco dos quais por participação nos assaltos e um por recetação de ouro.

O MP propôs penas de cadeia para todos entre sete anos e meio e os dois anos. "São crimes que geram atualmente grande alarme social", disse o acusador público, apontando ainda o sentimento de "impunidade" que os casos fazem passar, até pelo "desleixo" das polícias, notou.

Os seis homens, cinco de idade ainda jovem, dois dos quais em prisão preventiva, oriundos da zona de Gaia, tomaram parte em grupos a assaltos à mão armada a ourivesarias. No primeiro caso, em Oliveirinha, Aveiro, o gerente ainda rasgou o gorro de um ladrões que o arrastou pelo chão aos pontapés para se libertar. O segundo assalto aconteceu na Pampilhosa, onde o comerciante sofreu ferimentos graves na cabeça, deu seis mil euros de lucro para cada interveniente. Roubaram ainda viaturas automóveis e tiveram participação em furtos a estabelecimentos comerciais. De uma loja de bicicletas, os proprietários alegaram terem ficado sem 20 modelos de alta gama, mas a defesa contestou, apontando para metade.

A PJ deteve numa primeira fase três e os restantes no desenrolar de investigações que envolveram assaltos também no Grande Porto. Recuperou também alguns dos objetos roubados e furtados.

Exclusivos