Funicular gera queixas devido a acidentes na linha

Bombeiros têm de retirar pessoas que ficam presas na linha férrea. Há vítimas com ferimentos graves.

É uma linha férrea, vedada, pintada e sinalizada. Apesar disso, há sempre a possibilidade de alguém tropeçar ou enfiar um pé nos buracos da linha do funicular de Viseu. Da estatística do funicular, inaugurado há um ano, pouco se sabe. Mas há uma outra cifra que cresce mensalmente: a das vítimas do engenho. E nas últimas semanas estes acidente têm acontecido a um ritmo invulgar, o que leva a queixas quanto à segurança do equipamento.

A linha do funicular de Viseu, que faz a ligação entre o Campo de Viriato e a Sé, continua maltratada, e nalguns sítios a calçada ameaça desfazer-se devido ao peso das carruagens. Todas as semanas a linha faz feridos.

Susana, de 25 anos, atravessava a passadeira na Rua Ponte de Pau quando enfiou a perna na fenda por onde passam os cabos de tracção do funicular. Só foi retirada da fenda com a intervenção dos bombeiros. Foi operada e "ainda não sabe quem irá pagar os tratamentos", conta o dirigente do Núcleo de Viseu da Olho Vivo, a associação que tem denunciado as armadilhas do funicular.

Até à semana passada "foram nove os acidentados enviados ao hospital por terem caído na fenda que acompanha longitudinalmente os carris do funicular", adianta Carlos Vieira, que salienta que "há outros casos que não recorreram a tratamento hospitalar".

O dirigente alerta que este meio de transporte "é um perigo que os acidentes verificados só vieram comprovar". Há casos de vítimas "desencarceradas da linha" e outros, como "Fernando Fernandes, que enfiou o pé na fenda, tendo ficado com a perna cortada e queimada pelos cabos do funicular, tendo sido suturado com 21 pontos", no Hospital de Viseu. Esta semana mais dois peões sofreram ferimentos nas pernas. Os custos dos acidentes têm vindo a ser assumidos pelo Parque Expo, empresa responsável pelo Programa Polis que promoveu o funicular.

O funicular, que de forma gratuita transporta passageiros para o centro histórico, atravessa as ruas Serpa Pinto e D. José da Cruz Moreira Pinto, num percurso ladeado por postes, prumos e cabos de aço que permite a passagem a peões e automóveis. Na Rua Ponte de Pau têm sido transeuntes e comerciantes a salvar quem cai no "armadilhado" funicular, uma "asneira pelo tipo de modelo escolhido quando de início estava projectada uma passadeira rolante que faria melhor trabalho e facilitava a mobilidade sem provocar acidentes", concluiu Carlos Vieira.

? No funicular que faz a ligação ao centro histórico da cidade, o principal problema reside nas fendas da linha, onde as pessoas ficam presas

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