GNR acusado de desviar dinheiro em ocorrência com mortes

O Ministério Público (MP) pediu hoje ano e meio de prisão efetiva para um militar da GNR que foi julgado no tribunal de Vagos por peculato, assim como a proibição de exercer funções.

D. Cunha, 42 anos, é suspeito de ter desviado dinheiro, cerca de 480 euros, e um crucifixo em ouro de veículo sinistrado quando estava envolvido numa ocorrência policial.

O caso, que remonta a Julho de 2010, na estrada florestal da Vagueira, deu-se aquando de acidente do qual resultaram duas vitimas mortais e um ferido grave.

O MP acusou o arguido, na altura já colocado há vários anos no posto da GNR de Vagos, de ter ficado com o dinheiro que um dos sinistrados, emigrante na Alemanha, teria na sua posse para regressar ao seu país de acolhimento depois de férias.

Quando familiares dos acidentados procuraram recolher os bens que estavam na viatura, confrontaram o comandante do posto que mandou investigar as queixas e o caso acabou por motivar um inquérito judicial.

O guarda, atualmente colocado em Santa Maria da Feira, onde é residente, alegou em tribunal "que nunca mais se lembrou" do dinheiro no colete guardado no seu cacifo. Acabaria por entregar 140 euros e o crucifixo.

O advogado de defesa pôs em causa o valor reclamado pelos queixosos, por falta de provas, e considerou "estapafúrdia" as penas recomendadas pelo MP nas alegações finais.

O procurador justificou a necessidade de uma pena "exemplar" pelos antecedentes do guarda, já com uma condenação por comportamento inadequado no ano 2000 a 10 meses prisão, com pena suspensa, pelo tribunal de Ílhavo, e processo disciplinar na GNR. A ausência de arrependimento também foi notada.

O acórdão será lido dentro de 15 dias.

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