De malandrice real a símbolo da cultura local

património É inevitável falar das Caldas da Rainha e não referir a louça vernácula com referências ao "Toma!" de Zé-Povinho, personagem criada por Rafael Bordallo Pinheiro, ou à "garrafa". Para muitos sinónimo de gargalhadas e brincadeiras em torno da sátira popular, mas nem todos partilham da mesma opinião. "Há alguma vergonha em torno deste património português e ainda existem intelectuais que se recusam a considerar estes artesãos como tal", diz Conceição Colaço.

Para o artesão Madaíl Mendes "é apenas uma componente da cerâmica local", que começou por ser uma fonte de rendimentos extra para os operários devido à crise após a Segunda Guerra Mundial. "Os baixos salários e as dificuldades levaram muitos traba- lhadores das fábricas a produzirem em casa, às escondidas, estas canecas para depois as venderem", revela.

Uma actividade por vezes descoberta devido às queixas dos vizinhos. "Há relatos nos jornais da época do intenso fumo provocado pelos fornos caseiros", acrescenta Conceição Colaço.

A museóloga conta num dos seus artigos que o aparecimento da "garrafa" terá começado com uma brincadeira do rei D. Luís, que ao visitar a fábrica de Manuel Gomes, mais conhecido por "Mafra", terá pedido para este fazer um "objecto divertido para distrair os colegas da corte". O patrão embaraçado entregou a tarefa a João Pereira, que tinha a alcunha de "Bandalho", e que ficou conhecido como o mentor do objecto fálico. Mais tarde, esta terá sido adaptada e colocada no interior da caneca. Uma brincadeira popular que a Associação Tesouros Verdadeiros quer proteger, "numa mais-valia para a cultura das Caldas e que tem recebido elogios da população".

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