Comerciante de leitões alega legítima defesa para alvejar rival

Um antigo empresário de leitões da Anadia, de 46 anos, acusado de matar a tiro, há seis anos, um seu concorrente, de 29 anos, alegou ontem, no início do julgamento, ter disparado em legítima defesa, rejeitando a tese de crime premeditado para cobrança de uma dívida que a vítima teria para consigo.

Fernando Ribeiro invocou que sucedeu o contrário. Recebeu ameaças de morte, extensivas à filha, de um outro indivíduo, segurança (arrolado como testemunha), que pretenderia receber 10 mil euros a mando do falecido, Carlos Trancho, também comerciante de leitões, para desfazer, dessa forma, o negócio de trespasse feito entre ambos de uma casa de assar leitões.

O arguido negou a acusação do Ministério Público (MP) que lhe imputa o homicídio ocorrido a 6 de março de 2008, ao final da tarde, na rua principal de Alpalhão, em Anadia, com arma proibida, "para evitar pagar" a dívida de dez mil euros que tinha para com a vítima. "O que é dito não tem nada a ver com a verdade", declarou.

Fernando Ribeiro, na sua versão, deslocou-se ao encontro do falecido, a quem foi pedir explicações pela exigência, sob ameaças, dos 10 mil euros entregues como sinal do trespasse. Falaram lado a lado, cada um no interior do seu veículo. "Exaltou-se e meteu a mão para baixo. Eu tenho arma e disparo. Foi um reflexo depois daquele gesto, sabia que ele andava armado", relatou, adiantando que utilizou uma pistola de alarme alterada, que era normal ter para defesa pessoal, já que andava sempre com muito dinheiro.

Segundo a acusação, o arguido agiu por "avidez" e "com frieza de ânimo", procedendo à limpeza das armas que possuía, na manhã do crime. Fernando Ribeiro negou ter utilizado, ou sequer conhecer, também uma espingarda apreendida em sua casa, que seria do avó.

Em resposta ao seu advogado, o arguido garantiu ainda que "não premeditou o crime, nem queria tirar a vida" ao falecido alvejado na cabeça com o único disparo das cinco munições que tinha no arma. "Dez mil euros para mim ou para o Trancho não era dinheiro nenhum, não tem lógica matar por causa disso", referiu.

Fernando Ribeiro disse que fugiu do país, primeiro para Espanha, por recear represálias do pai da vítima, "que andava armado e tinha antecedentes criminais".

O arguido chegou a estar fugido em França "a trabalhar nas obras" e depois seria descoberto pelas polícias em Cabo Verde, onde tinha constituido nova família (mulher e filho) localmente. Foi localizado em 2013, sendo extraditado em Fevereiro último para Portugal para ser julgado.

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