Bando de Allan Sharif detido pela PJ

Empresário canadiano raptado e torturado durante dez dias entregou centenas de milhares de euros

A Polícia Judiciária (PJ) deteve ontem em Chãs de Tavares, Mangualde, seis pessoas suspeitas de associação criminosa, rapto, extorsão e branqueamento de capitais. Os suspeitos, segundo o DN apurou junto de fonte da PJ, actuariam sob as ordens do luso-americano Allan Sharif, que está a cumprir pena de prisão em Portugal por crimes semelhantes e que o FBI reclama extradição.

O grupo engendrou um plano para trazer a Portugal um empresário canadiano, sob o falso pretexto de um negócio imobiliário. O estrangeiro acabou por ficar sequestrado durante dez dias. "A vítima foi agredida, torturada, privada de sono e até lhe diziam que os familiares no Canadá estavam sob vigilância e poderiam sofrer represálias", conta a fonte policial.

As detenções ocorreram em Chãs de Tavares, durante a manhã de ontem, quando a PJ, através da Unidade Nacional contra o Terrorismo (UNCT), e magistrados do Departamento Central de Investigação e Acção Penal fizeram buscas e detiveram cinco suspeitos. Um sexto suspeito foi detido por estar na posse de uma arma ilegal.

Os factos remontam a 2007 e foram "espoletados pela investigação a Sharif", disse ao DN fonte judicial.

"A vítima foi forçada a fazer transferências de dinheiro para vários bancos em diversas partes do mundo. Estamos a falar de centenas de milhares de euros", explica a fonte policial.

Durante anos, Sharif e a vítima, Timothy Vaan Caine, foram companheiros de crime. Sharif disse, quando estava a ser julgado no Tribunal de Mangualde (já este ano), que foram responsáveis por várias burlas informáticas nos Estados Unidos. Em 2005, Sharif refugiou-se em Portugal e Timothy no Canadá. Até que em 2007 o luso-americano volta ao crime. A partir de Portugal e com a ajuda de Timothy, que detinha conhecimentos privilegiados em diversas financeiras, efectuaram várias burlas que originaram milhões de euros que dividiram entre ambos. Mas em 2007, Sharif decidiu "tramar" o sócio. Juntamente com Paulo Almeida, o homem do assalto a Miami (ver caixa), convenceram Timothy a vir a Portugal. Os dois e os outros cinco detidos "engendraram um plano mediante o qual atraíram a território nacional um potencial investidor imobiliário, que depois vieram a sequestrar, mantendo-o em cativeiro para lhe extorquirem milhares de euros destinados a pagar o resgate", adianta a PJ em comunicado.

Timothy foi libertado e viajou para o Canadá. Sharif, a partir de Chãs de Tavares, continuou a burlar diversas entidades financeiras estrangeiras. Sharif foi preso em 2008 e sempre justificou a origem do dinheiro com negócios com Thimothy Vaan Caine .

Dois empresários de Fornos de Algodres, ontem detidos, também depuseram no julgamento de Sharif nesse sentido. Paulo Almeida, outro dos detidos na manhã de ontem, confirmou que o canadiano esteve em Portugal "para ser roubado".

A investigação demorou algum tempo devido "ao envio de várias cartas rogatórias para o Canadá". Esta semana agentes da PJ revistaram a cela de Sharif no Estabelecimento Prisional da Guarda. Os suspeitos são ouvidos hoje no Campus de Justiça, em Lisboa.

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