2.310 motas antigas batem recorde em Fátima

Um recorde mundial com 10 anos foi hoje batida em Fátima, com a concentração de 2.310 motorizadas antigas, numa iniciativa da revista "SóClássicas".

O director da revista, Pedro Oliveira, afirmou-se "bastante" satisfeito com o recorde Guinness alcançado -- o anterior foi estabelecido na Holanda com 1.237 motorizadas -, admitindo, contudo, que a organização estava à espera de chegar ao número redondo de 3.000.

"Havia motos que não se puderam contabilizar porque o Guinness só aceita motorizadas e ciclomotores", disse.

Pedro Oliveira realçou o facto de Portugal ser agora detentor do recorde mundial, necessitando apenas da certificação pela organização do Guinness World Records.

Aos jornalistas, o responsável acrescentou que esta paixão pelas motorizadas clássicas encontra explicação no facto de muitos portugueses terem tido, durante anos, este como único meio de deslocação.

Pedro Oliveira adiantou que, na década de 80 o país passou por um momento em que ter motorizada "era sinal de ser pobre", mas agora está a "redescobrir" que "o antigo é muito giro", a que acresce o facto de que se trata de um meio de transporte que "se adapta bem à crise".

No encontro de motorizadas clássicas, onde se multiplicaram veículos de marcas como Famel Zundapp, Macal, Sachs, encontravam-se verdadeiras relíquias, algumas das quais só chegaram a Fátima com a ajude de reboque.

Foi o caso das duas rodas de Artur Nogueira, da Marinha Grande, que trouxe um "cucciolo", de 1950, motorizada com "motor a quatro tempos, como têm as motos ou os carros", explicou.

Artur Nogueira adiantou que restaurou o veículo, oferta de um amigo, com recurso a "uma pipa de massa", que não especificou. Nem nesta, nem nas outras 16 que restaurou, embora o "cucciolo" seja o veículo do coração ou, como disse, uma "peça de museu".

"Isto só serve quase para exposição, dar uma voltinha e pouco mais", declarou, o aficionado por motorizadas ou, como se definiu, "maluco pelas motos", justificando esta predileção: "O meu pai tinha uma oficina de motos e eu nasci nas motos".

Acompanhado pela família, Joaquim Barros, de Viana de Castelo, que levou até Fátima uma motorizada militar "Peugeot", de 1953, confessou: "É uma paixão que temos pelas motos antigas".

Nesta paixão, não há lugar a loucuras na estrada: "Não se pode vir com grandes velocidades", afiançou Joaquim Barros, certo que velocidade a mais nestas preciosidades pode ditar avarias, o mesmo é dizer, o seu fim.

Manuel Ribeiro Novo, de Ourém, tem carro, mas é a motorizada, uma "Flandria record" de 1962, que lhe concentra todas as atenções, desde que, aos 19 anos se habituou a conduzi-las.

"Acho mais seguro em cima de uma mota do que num carro", disse à agência Lusa Manuel Ribeiro Novo, que não lamentou o trabalho, nem o dinheiro dispendido no restauro do seu veículo de sempre.

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