Costa vaiado por centenas de manifestantes durante discurso

Em causa está o fim do financiamento de turmas com contrato de associação

O primeiro-ministro, António Costa, discursou este sábado durante cerca de dez minutos debaixo de um barulho ensurdecedor de centenas de manifestantes, concentrados junto ao Museu Municipal Abade Pedrosa, em Santo Tirso, que inaugurou.

Costa foi recebido em Santo Tirso sob um forte protesto de centenas de pessoas que se manifestam contra os cortes no financiamento a colégios privados com contrato de associação. Durante todo o discurso do primeiro-ministro, ouviram-se vaias, buzinadelas, apitadelas e bombos.

O mesmo aconteceu durante os discursos do arquiteto Siza Vieira e do presidente da Câmara de Santo Tirso, o socialista Joaquim Couto.

A cerimónia decorreu numa tenda instalada em frente à porta do Museu, tendo os manifestantes sido concentrados a cerca de vinte metros da mesma.

Com 't-shirts' amarelas vestidas onde se lê "Defesa da escola", os manifestantes fizeram barulho mostraram cartazes com 'slogans' como "Eu não sou um caso, sou uma causa", "Descartáveis são os governos! Não pessoas de carne, osso e alma" e "O Partido Socialista fecha escolas de qualidade".

No seu discurso, Costa elogiou a arquitetura, afirmando que "é arte pública por natureza e com dimensão social da maior relevância".

O primeiro-ministro considerou também que o Museu Internacional de Escultura Contemporânea que hoje inaugurou, que tem entrada comum com o renovado Museu Abade Pedrosa, "é um verdadeiro museu público", porque se estende pela cidade de Santo Tirso através das suas 54 esculturas colocadas em espaço público.

"As entidades públicas têm várias responsabilidades no domínio público", disse, acrescentando que o serviço que Santo Tirso presta ao abrir este museu "vai no esforço" desenvolvido pelo Estado nos últimos 40 anos para que todos "acedam por igual a bens fundamentais como saúde, cultura e educação".

Para António Costa, "a cultura tem que estar cada vez mais próxima do cidadão e não em exclusivo em Lisboa e no Porto".

O primeiro-ministro chegou com 25 minutos de atraso ao Museu Municipal Abade Pedrosa, para presidir à cerimónia que assinala a requalificação desta infraestrutura, e entrou diretamente nas instalações para descerrar as placas de inauguração, não parando junto aos convidados e manifestantes.

Ao interior do museu foram levados por elementos da organização do evento três representantes das escolas em protesto que pretendem entregar a António Costa "um estudo sobre as consequências que as 39 escolas que não vão poder abrir turmas com contrato de associação vão sofrer", disse à Lusa uma das representantes, Filipa Amorim.

"Não se trata apenas de não abrir novas turmas. Estamos a falar de matar à machadada os colégios com contrato de associação", sublinhou a representante.

A comunicação social foi afastada deste encontro entre representantes e o primeiro-ministro.

Ana Fangueiro, do colégio Infante D. Henrique, em Braga, afirmou à agência Lusa que "a zona Norte é dizimada com o fim do financiamento de turmas com contrato de associação".

"É um sentimento de profunda injustiça. Isto é um combate ideológico sem história, esta escola tem um projeto há mais de três décadas e presta um excelente serviço às populações", disse.

Ana Paula Guimarães, funcionário num colégio em Riba d'Ave que não pode abrir turmas com contrato de associação no próximo ano letivo, considerou que o dinheiro das escolas públicas é de todos os contribuintes.

"O primeiro-ministro está no Governo pelos portugueses, por todos, não apenas pelos funcionários públicos", sustentou.

O Estado vai financiar 273 turmas em início do ciclo em colégios privados no próximo ano letivo, de acordo com um aviso de abertura de concurso para extensão dos contratos de associação em vigor publicado sexta-feira na página na Internet da Direção-Geral da Administração Escolar.

No presente ano letivo funcionam nas escolas privadas 656 turmas com contrato de associação.

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