Celebrar na Avenida cem anos a encenar histórias

Fátima Monteiro já não sabe ao certo em que ano entrou pela primeira vez na Marcha de Carnide. Lembra-se, sim, que nessa edição, que terá sido há pelo menos 15 anos, só havia mais uma vaga para além da que ocupou.

"Na altura, a marcha era de gente antiga", recorda, envergando já o título de marchante mais velha, apesar dos 34 anos. O número quase que "grita" o óbvio - em 2013, é um grupo mais jovem que vai assinalar o centenário da Sociedade Dramática de Carnide, entidade organizadora.

"Cinco, seis, sete e oito", repete, quase em desespero, a coreógrafa Inna Lisnyak, já depois de, por várias vezes, ter mostrado os passos que os participantes deverão executar. O ensaio decorre no Pavilhão Desportivo do Bairro Padre Cruz, ainda sem música e com muitos detalhes por acertar em vésperas da exibição no MEO Arena (antigo Pavilhão Atlântico), ocorrida ontem.

"O nosso objetivo é melhorar cada vez mais [a classificação]", afirma Paulo Julião, outro dos ensaiadores, a par de André Ferreira, adiantando que o conjunto vai "tentar chegar ao topo" depois do 13.º em 2012. "Toda a gente tem expectativas de ficar no primeiro lugar", reconhece a presidente da Sociedade Dramática de Carnide. Ainda assim, ressalva Teresa Martins, o "orgulho" das pessoas no cartão de visita do bairro "é o mais importante". "Esta é uma forma da sociedade sair à rua", sintetiza.

São essas ruas que Fátima Monteiro conhece desde que nasceu... e quando os prédios, que hoje ocupam grande parte da freguesia, ainda não eram uma realidade. "Eu sou da Horta Nova e a Horta Nova eram quintas. Eu cresci a andar pelas quintas a apanhar figos", conta, antes de Mário Gomes confirmar a vivência, com a certeza de que a própria memória de vida legitima.

Aos 41 anos, o carnidense é marchante desde 1997, ano em que abriram 12 vagas no conjunto popular de um bairro que, apesar de não se situar no centro histórico da cidade, tem uma longa história. "Tem a Feira da Luz", exemplifica, uma celebração que, há mais de cinco séculos, se realiza uma vez por ano na freguesia.

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