"CDS herdou municípios mal geridos, com empresas falidas e dívidas elevadíssimas"

Em entrevista ao DN, Domingos Doutel, coordenador autárquico do CDS, faz balanço da ação do partido no poder local desde as últimas eleições, em 2013

Em 2013, o CDS passou de uma para cinco câmaras municipais. De que forma isso influenciou a ação do partido no poder local?

O CDS passou a ter maiores responsabilidades no poder local, ganhou mais peso na Associação Nacional de Municípios Portugueses, na Associação Nacional de Freguesias, nas Comunidades Intermunicipais e Áreas Metropolitanas, pelo que criámos os Autarcas Populares como estrutura própria do partido, que tem por objeto dar apoio organizado aos seus membros, em todos os aspetos da gestão autárquica e colaborar com os órgãos do partido na definição da política autárquica.

Que avaliação fazem do desempenho destas novas câmaras?

O CDS "herdou" municípios mal geridos, com empresas falidas e dívidas elevadíssimas. Os nossos presidentes de câmara têm feito uma gestão rigorosa dos dinheiros públicos: além de diminuírem essas dívidas e sem prejuízo dos investimentos necessários nos seus municípios, adotaram políticas fiscais municipais moderadas, dando prioridade à redução de taxas, à devolução de poder de compra às famílias e à competitividade económica dos seus concelhos. A título de exemplo, veja-se a aplicação do IMI familiar, a devolução do IRS ou o pagamento a fornecedores a menos de 20 dias (Santana paga a três dias e Velas a um dia). Mas também é bom lembrar o empenhamento das câmaras CDS no apoio ao investimento e atração de investimento nos seus concelhos e, ainda, o incremento do apoio social ou a preservação e divulgação do património cultural, histórico e ambiental. A avaliação que fazemos é por isso a mais positiva possível, porque essas são as políticas de proximidade que o CDS defende.

O que aprendeu o CDS com a liderança destas câmaras?

Todos os autarcas atuais e futuros do CDS sabem, com estes exemplos, que sem "clientelismos" e "caciquismos" é possível governar bem uma câmara, em prol do bem comum das comunidades. Como dizia Nuno Abecasis, "como autarcas, transformamos o poder em serviço".

Três destes municípios foram ganhos ao PSD. O PSD é o adversário número um do CDS nas autárquicas?

Não é verdade. Relembro que governamos 22 câmaras em coligação com o PSD. No CDS o combate autárquico é contra as políticas erradas que são seguidas nos municípios, não é contra nenhum partido em concreto.

De que forma o facto de a presidente do CDS ser candidata a Lisboa vai influenciar a mobilização e os resultados?

Os verdadeiros "líderes" são aqueles que dão o exemplo. A nossa presidente, além de se revelar como uma grande líder, dá o exemplo de ir ao combate autárquico. O seu exemplo anima e mobiliza todo o partido. Havendo mais mobilização, com certeza que podemos ambicionar mais e melhores resultados, sabendo, no entanto, que estes dependem muito dos candidatos e das circunstâncias de popularidade de quem está no poder. Uma coisa é certa: cremos firmemente que temos a melhor candidata para governar Lisboa.

O que marca a diferença de uma autarquia do CDS em relação às outras?

Em parte, pelo trabalho feito pelos nossos presidentes de câmara. Ponte de Lima é um bom exemplo. Sempre do CDS, em democracia, gasta apenas cerca de 30% com o funcionamento; devolve os 5% do IRS, aplica o IMI familiar, tem as taxas mais baixas, atrai investimento e emprego, promove a sustentabilidade e a cultura. O trabalho dos autarcas do CDS é focado no homem e na sua comunidade. Os destinatários preferenciais da ação política dos nossos autarcas são "as pessoas, as famílias, as escolas e as empresas". Realço que os nossos autarcas em poder executivo também se destacam pela gestão rigorosa, eficiente, equilibrada e transparente dos orçamentos e serviços municipais e de freguesia.

Exclusivos