Cavaco vai avaliar a "geringonça" num próximo livro

Ex-Presidente da República nega críticas ao estilo da presidência de Marcelo

Cavaco Silva garantiu que "a maior parte das reuniões" com o ex-primeiro-ministro José Sócrates foram "cordiais, de respeito mútuo e de grande cooperação institucional". Em entrevista ontem à noite à RTP3, o ex-Presidente da República tentou dissipar as acusações de que revelara no seu livro Quintas-Feiras e Outros Dias apenas situações desagradáveis com o ex-primeiro-ministro. Ontem, Cavaco destacou apenas duas "reuniões difíceis": uma logo a seguir à sua tomada de posse, no segundo mandato, sobre o PEC IV, em que disse a Sócrates que tinha sido uma "deslealdade" e uma "violação da Constituição" não o ter informado; outra antes das eleições de 2009, sobre as alegadas escutas em Belém.

No livro escreveu que o caso das escutas se tratou de uma "intriga política insidiosa, criada e alimentada por setores do PS com a participação ativa de alguns órgãos de comunicação" para o envolverem na campanha das legislativas de 2009". José Sócrates respondeu, numa carta publicada pelo DN, acusando o ex-Chefe do Estado de conceber e executar uma "conjura baseada numa história falsa, por forma a deitar abaixo um governo legítimo em funções". Questionado sobre porque não desmentiu logo na altura a notícia que considerou "uma historieta de verão para atrair leitores, absurda e sem o mínimo fundamento", para travar as especulações", justificou com o facto de estar de "férias com um jipe cheio de diplomas para analisar" e não querer "alimentar notícias que pretendem criar factos políticos".

Quando lhe perguntaram porque sempre promovera apenas o diálogo entre o PS, o PSD e CDS, deixando de fora o PCP e o BE, respondeu que José Sócrates sempre lhe garantira que nunca governaria com partidos da "extrema-esquerda". Desde logo, explicou, "porque eram partidos contra a União Europeia e a NATO. "Era a tradição haver sempre um diálogo entre estes partidos", disse. Cavaco Silva não quis fazer quaisquer comentários sobre a atual situação política nem sobre a governação da "geringonça", prometendo essa avaliação para um próximo volume literário.

Falou pela primeira vez sobre o processo judicial de José Sócrates para dizer que ficou "totalmente surpreendido" com o caso.

Ficaram ainda descartadas nesta entrevista quaisquer referências críticas ao estilo da presidência de Marcelo Rebelo de Sousa. No livro diz que não concordava com a "política-espetáculo", o que foi interpretado como uma referência indireta ao atual Chefe do Estado. Cavaco garantiu que essas palavras foram escritas "antes de se saber quem era o Presidente, antes mesmo da campanha eleitoral" e que se tratou apenas de uma reflexão sobre o que entende ser "o exercício das funções de um Presidente da República".

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