Cavaco Silva condena quem tenta "fugir" aos sacrifícios

Presidente pediu um combate sem tréguas à pobreza e ao desemprego. É a primeira vez que um recandidato faz mensagem

Com uma mensagem curta, de quatro simples páginas, Cavaco Silva quebrou a reserva dos seus antecessores. A sua dupla con- dição de Presidente da Repúbli- ca e recandidato a um segundo mandato a Belém não o inibiu, ao contrário do que aconteceu com Soares e Sampaio, de se dirigir aos portugueses na tradicional mensagem de Ano Novo (ver texto ao lado). Para lhes pedir um combate sem tréguas à pobreza e ao desemprego. E deplorar quem "pretende fugir aos sacrifícios".

O Chefe do Estado lembrou que os tempos que atravessamos "são de grande dificuldade" e que seria faltar à verdade afirmar que em 2011 tudo se resolverá. Cavaco pôs o dedo na ferida dos 600 mil desempregados e no recrudescimento da pobreza a "níveis intoleráveis".

Neste sentido, defendeu que os sacrifícios têm de ser repartidos de uma forma justa para todos, "sem excepções nem privilégios". Na sua opinião, "pretender fugir aos sacrifícios é uma atitude que não se coaduna nem com os mais elementares princípios da ética republicana nem com o valor fundamental da coesão social".

Estas palavras do Presidente são proferidas poucas semanas após a polémica gerada pelas "compensações" dadas pelo Governo açoriano, presidido pelo socialista Carlos César, aos funcionários públicos regionais por forma a não serem penalizados pelos cortes inscritos no Orçamento do Estado para 2011 para toda a administração pública e sector empresarial do Estado.

"É imprescindível que estejamos unidos para enfrentar as dificuldades", frisou Cavaco, embora se tenha mostrado convicto de que vamos vencer a adversidade. Sobretudo, disse, se apostarmos na "produção de bens e serviços" que concorram com a produção estrangeira, no reforço da competitividade das nossas empresas e na redução do endividamento do País no estrangeiro.

Apesar de sublinhar que a resolução da crise tem de ser partilhada por todos os portugueses, o PR quis logo nas primeiras linhas do seu discurso lembrar que o Governo tardou a acordar para os problemas que ele próprio tinha denunciado. "A partir do 2.º semestre de 2010 já ninguém pôde negar que o País atravessava uma situação de grave crise económica e financeira, a qual tem efeitos negativos no plano social." Não "iludir a realidade", afirmou Cavaco, "é uma atitude responsável, pois representa o primeiro passo para mudar de rumo e corrigir a trajectória".

Cavaco saudou ainda o espírito solidário dos portugueses, espelhado na ajuda à Madeira, Açores e nas campanhas de recolha de alimentos, para frisar: "Não podemos deixar para trás os que mais precisam: os jovens que buscam emprego, os desempregados de longa duração, os idosos carenciados, os que sofrem a pobreza e a exclusão, as crianças em risco, os deficientes, as famílias que enfrentam privações."

Clique aqui para aceder ao site da Presidência da República e ver o vídeo da mensagem de Cavaco Silva aos portugueses.

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